09 de julho de 2026
Nacional

Unicamp tem menos do ensino público

Folhapress*
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Apesar do esforço da Unicamp em trazer candidatos que tenham feito o ensino médio em escola pública, houve uma diminuição de 2,8 pontos percentuais no número desses inscritos no processo seletivo que será aplicado hoje. No ano passado, dos 53.762 vestibulandos, 34,1% estudaram na rede pública. Neste ano, dos 49.585 concorrentes, 31,3% tiveram o ensino gratuito. O total dos que cursaram instituições privadas é de 59,3% neste exame.

â€œÉ uma redução normal quando também ocorre baixa no número de inscritos (8% em relação ao vestibular anterior)”, afirmou Leandro Tessler, coordenador-executivo da Comvest, comissão que organiza a prova da Universidade Estadual de Campinas e da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp).

A queda vem um ano após a criação do Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (PAAIS ), responsável, segundo a Comvest, pelo recorde de inscritos no ano passado. O programa prevê a concessão de 30 pontos adicionais à nota final para candidatos que fizeram todo o ensino médio em escolas da rede pública e outros dez pontos a mais para aqueles que, além de terem feito o ensino médio em escolas públicas, se autodeclararam pretos, pardos ou indígenas.

Na opinião da vestibulanda Priscila Miquelino dos Santos, 19 anos, embora o programa tenha sido um avanço, o aluno que vem da rede pública ainda se encontra em desvantagem na hora de concorrer a uma vaga. “Os pontos só são concedidos na segunda fase do vestibular. Isso deveria ocorrer na primeira, porque o mesmo Estado que cobra um determinado conteúdo no exame não ofereceu esse conhecimento”, diz ela, que fez o ensino médio na rede pública de São Paulo e vai disputar uma vaga no curso de medicina.

Tessler aponta ainda que o grande número de isenções na taxa de inscrição das outras universidades estaduais paulistas (USP e Unesp) também influenciou na menor procura. “Só a USP ofereceu mais isenções do que temos de inscritos (65 mil estudantes conseguiram o benefício).”

Na Unicamp, neste ano, apenas 6.845 vestibulandos não precisaram desembolsar R$ 95,00 para se inscrever. A Unicamp possui três critérios para conceder a isenção.

O primeiro prevê o não pagamento da taxa para concorrentes que tenham o ensino básico integralmente em escolas públicas e com renda familiar inferior a R$ 400,00 mensais por pessoa. O segundo critério é feito para funcionários da instituição que estudaram na rede pública. Já o terceiro é para os candidatos aos cursos de licenciatura oferecidos no período noturno que tenham cursado todo o ensino básico em escola pública.

De acordo com Tessler, a dificuldade em conceder um maior número de benefícios ocorre devido ao alto do custo do exame, estimado em cerca de R$ 4,2 milhões. “Cada isento que a gente aprova é caro, porque o gasto com a elaboração e com a correção da prova é alto.”

Dados da Comvest mostram que aproximadamente 70% da verba para o processo seletivo são usados no pagamentos dos corretores e elaboradores. “Não podemos nos dar o luxo de ampliar o número de isentos”, diz Tessler. Os candidatos que fazem a primeira fase amanhã concorrem a 2.954 vagas oferecidas em 58 cursos da Unicamp e em dois da Famerp.

*Alexandre Nobeschi