Ridícula a proposta de José Perea Martins. Como puderam admitir um funcionário público que faz esse tipo de proposta?! Não entende o senhor Martins que o Português é uma língua natural e que não é tão simples assim simplificá-la? Não entende que o Português atravessou séculos para adquirir o padrão que possui hoje? A grande verdade é que a proposta tende a aumentar o número de analfabetos no País. Tomo por exemplo eu, que não escreveria de maneira alguma "esseção†no lugar de "exceçãoâ€. Logo, eu seria um analfabeto! A proposta simplesmente dita que a maioria deve falar como a minoria, quando é o exatamente o contrário que regula as Leis.
O intuito da proposta não é resolver o problema e sim maquiá-lo. Nao vê o senhor Martins que o problema é a incompetência da formação de professores e não o Português? E por que não admitir que os alunos também têm grande parcela de culpa nisso tudo? Além disso, eu duvido que essa "Proposta Não Utópica†tenha aderência. Até porque eu acredito que o senhor Martins, funcionário público, não terá coragem de escrever "esselentissimo juisâ€, assim, com dois esses, sem acento e com um esse impróprio no final em vez de "excelentíssimo juíz†em alguma carta pública. Eu não teria.
A grande sacada não é escrever o Português todo correto e formal, e sim brincar com as palavras. Por exemplo, se existe dificuldade de se escrever "êxitoâ€, por que não brincar com o Português e substituir por "sucessoâ€? Ao acaso não sabe o senhor Martins que é essa a vantagem de uma língua natural? Além disso, se essa mudança realmente ocorrer - o que eu duvido - o que aconteceria com todos nossos professores, inclusive os de Ensino Superior? Estariam todos despedidos? Será que o senhor Martins realmente não vê que tal proposta é uma medida paliativa tão patética quanto a Lei de Cotas? Martins parece ignorar o porquê de uma gramática única para o Português.
Talvez ele deva ser esclarecido que a Gramática Única permite a um cidadão do sul se comunicar com outro do norte utilizando-se do mesmo sistema. Sim, é evidente que algumas palavras possuirão sentidos diferentes, mas nada que um questionamento sobre isso não esclareça. No entanto, se a proposta entrar em vigor, surgirão inúmeros dialetos e logo existirá uma barreira (e, possivelemente, mais rivalidade) entre as regiões. Exatamente como ocorre na África do Sul e as sucessivas tentativas frustradas de se unificar a língua sob o Africanêr. Outra coisa: quem escreveria as novas regras do Português? O senhor Martins? Ao acaso, o senhor Martins tem problemas para escrever o Português e precisa manipular tudo isso dessa forma? Existe ainda uma outra teoria de que para se criar uma nova língua deve-se primeiramente colocar os falantes em regiões geográficas diferentes. Quer Martins separar toda uma nação unificada sob o manto do Português?
Qual seria realmente o propósito? É ingenuidade acreditar que essa guerra é patriótica. Eu acredito que o problema não seja a língua, e sim os falantes. Se a intenção é resolver o problema, nao será criando outros que o será solucionado. Sinceramente, espero que essa proposta não seja levada adiante ou correremos o risco de "facilitarmos†tanto o Português que o Inglês seja tomada como língua oficial do Brasil. (Daniel Estevan - RG 28.987.095-1)