09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Escritor propõe mudança no idioma


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Ridícula a proposta de José Perea Martins. Como puderam admitir um funcionário público que faz esse tipo de proposta?! Não entende o senhor Martins que o Português é uma língua natural e que não é tão simples assim simplificá-la? Não entende que o Português atravessou séculos para adquirir o padrão que possui hoje? A grande verdade é que a proposta tende a aumentar o número de analfabetos no País. Tomo por exemplo eu, que não escreveria de maneira alguma "esseção” no lugar de "exceção”. Logo, eu seria um analfabeto! A proposta simplesmente dita que a maioria deve falar como a minoria, quando é o exatamente o contrário que regula as Leis.

O intuito da proposta não é resolver o problema e sim maquiá-lo. Nao vê o senhor Martins que o problema é a incompetência da formação de professores e não o Português? E por que não admitir que os alunos também têm grande parcela de culpa nisso tudo? Além disso, eu duvido que essa "Proposta Não Utópica” tenha aderência. Até porque eu acredito que o senhor Martins, funcionário público, não terá coragem de escrever "esselentissimo juis”, assim, com dois esses, sem acento e com um esse impróprio no final em vez de "excelentíssimo juíz” em alguma carta pública. Eu não teria.

A grande sacada não é escrever o Português todo correto e formal, e sim brincar com as palavras. Por exemplo, se existe dificuldade de se escrever "êxito”, por que não brincar com o Português e substituir por "sucesso”? Ao acaso não sabe o senhor Martins que é essa a vantagem de uma língua natural? Além disso, se essa mudança realmente ocorrer - o que eu duvido - o que aconteceria com todos nossos professores, inclusive os de Ensino Superior? Estariam todos despedidos? Será que o senhor Martins realmente não vê que tal proposta é uma medida paliativa tão patética quanto a Lei de Cotas? Martins parece ignorar o porquê de uma gramática única para o Português.

Talvez ele deva ser esclarecido que a Gramática Única permite a um cidadão do sul se comunicar com outro do norte utilizando-se do mesmo sistema. Sim, é evidente que algumas palavras possuirão sentidos diferentes, mas nada que um questionamento sobre isso não esclareça. No entanto, se a proposta entrar em vigor, surgirão inúmeros dialetos e logo existirá uma barreira (e, possivelemente, mais rivalidade) entre as regiões. Exatamente como ocorre na África do Sul e as sucessivas tentativas frustradas de se unificar a língua sob o Africanêr. Outra coisa: quem escreveria as novas regras do Português? O senhor Martins? Ao acaso, o senhor Martins tem problemas para escrever o Português e precisa manipular tudo isso dessa forma? Existe ainda uma outra teoria de que para se criar uma nova língua deve-se primeiramente colocar os falantes em regiões geográficas diferentes. Quer Martins separar toda uma nação unificada sob o manto do Português?

Qual seria realmente o propósito? É ingenuidade acreditar que essa guerra é patriótica. Eu acredito que o problema não seja a língua, e sim os falantes. Se a intenção é resolver o problema, nao será criando outros que o será solucionado. Sinceramente, espero que essa proposta não seja levada adiante ou correremos o risco de "facilitarmos” tanto o Português que o Inglês seja tomada como língua oficial do Brasil. (Daniel Estevan - RG 28.987.095-1)