Criar filhos, ser pai ou mãe é uma tarefa que não se aprende de um dia para o outro: ela é longa e com muitos altos e baixos. É uma experiência contínua e requer, dos que dela participam, um esforço concentrado em busca do melhor desenvolvimento do ser pai e mãe e da melhoria das relações entre os membros da família.
Tenta-se criar filhos da melhor forma possível; alguns pais ensaiam boas idéias, que podem dar bons resultados ou não. Talvez, o mais difícil seja enfrentar as mudanças, pois o processo educacional, que não é atemporal, transforma-se junto com a sociedade, colocando em xeque nossos conceitos e hábitos mais arraigados.
Certamente a ajuda de um profissional que oriente os pais na educação dos filhos é positiva. Nas dificuldades, os pais devem estar dispostos a buscar esse tipo de auxílio. No passado, a orientação psicológica trazia certo estigma social, mas a ênfase moderna está se voltando, cada vez mais, para problemas das pessoas “normais†e não apenas daquelas com severos distúrbios. Infelizmente, muitos pais temem que suas dificuldades com a educação dos filhos sejam entendidas como fracasso e tendem a escondê-las. Deixam para “pedir socorro†somente quando as coisas estão realmente ruins ou, pior ainda, preferem ignorar os problemas através de justificativas do tipo “No meu tempo não havia nada dissoâ€, â€œÉ uma idade difícilâ€; “Isso passaâ€; “Ela sempre foi uma criança difícil†ou “Não sou eu o problema, e sim meu filhoâ€. Quando os filhos crescem, perguntam surpresos: “O que foi que eu fiz de errado?â€, e aí sim ‘acordam’ para a sua responsabilidade, a formação dos filhos.
É importante que, nas dificuldades, os pais procurem ajuda de um especialista, seja para uma simples conversa ou orientação sobre o relacionamento com os filhos, seja para um processo terapêutico mais complexo. Se o problema for “cortado pela raizâ€, e não somente “camufladoâ€, pode-se contribuir para a real ajuda que a família necessita.
É preciso enxergar o problema dos filhos como problemas familiares que podem ser resolvidos. Para isto é necessário ter consciência de que as dificuldades existem e que todos estejam dispostos e envolvidos nas atividades de mudança, de orientação ou de terapia, ou seja, que cada um dos participantes dê sua parcela de contribuição para a melhoria no relacionamento pais-filhos.
Não é fácil aceitar críticas ou a responsabilidade pelos problemas familiares, mas é fundamental estar disponível ao crescimento e aprimoramento das relações para o bem de todos, para o bem da família.
Nunca é tarde para mudanças! A ajuda profissional, às vezes, torna-se importante para o estabelecimento de uma vida familiar gratificante e harmoniosa. (Adriane Branco Folkis - RG 23.881.056-2)