Ibitinga - O interesse maior do produtor rural de Ibitinga hoje é a cana-de-açúcar como lavoura para diversificação da produção agropecuária. Segundo o engenheiro agrônomo Alcides dos Santos Moreira, a expansão da área plantada com cana vem se intensificando nos últimos três anos como resposta à contínua perda de produtividade e, conseqüentemente, queda na lucratividade com pastagem e lavouras de citrus, em especial a laranja.
“Hoje, todo grande pecuarista está começando a plantar grandes áreas de cana industrial para suprir no inverno. Está havendo muita lavoura de laranja abandonada por causa do custo. Abandonada e com tendência de ser erradicada, dando lugar à lavoura de canaâ€, revela.
Moreira esclarece que os próximos 15 dias serão fundamentais para se estimar a próxima safra de laranja na microrregião, a qual se acreditava seria excelente. “Já estou sabendo que está havendo queda. A florada foi ótima, porém o último veranico, ocorrido nesses dias, vai determinar o sucesso ou não da continuidade desse fruto no péâ€, adverte. Moreira integra uma equipe de profissionais da Casa da Agricultura de Ibitinga, ligada à Coordenadoria Técnica de Assistência Integral (Cati - Campinas), que responde pelos municípios de Araraquara, Itápolis, Borborema, Taquaritinga, Monte Alto, Vista Alegre do Alto, Jaboticabal, Ibitinga e outros.
Para fugir de eventuais prejuízos, plantações de laranjas e pastagens estão sendo eliminadas gradativamente e substituídas pela cultura canavieira. O atrativo comercial vem de boas ofertas da agroindústria sucroalcooleira, que necessita suprir de matéria-prima - cana - a expansão na região de investimentos em usinas de álcool e açúcar.
Na última quarta-feira, um pecuarista de Ibitinga informou ao JC que estuda proposta para diminuir sua área de pastagem e dar lugar à cana, que passaria a custear as despesas com a fazenda.
Clima contra
Moreira cita como fatores para a mudança de lavoura os preços não atrativos da laranja, somado à baixa produtividade da fruta. Em contrapartida, o agricultor está sensível ao bom momento de mercado para a cana-de-açúcar. Permanecendo esse cenário, ele avalia que o agronegócio na região mudará e prevalecerá a cultura que apresentar melhor infra-estrutura regional para se desenvolver. As condições climáticas não têm sido favoráveis para o perfeito desenvolvimento da laranja. Ao contrário, a cana se adapta melhor a condições climáticas com pouca chuva. O que vem desfavorecendo a laranja, segundo Moreira, são os veranicos no início da florada, com chuvas no fim de setembro e outubro e longos períodos de estiagem. “Faz 25 dias que não chove e a temperatura chegou a 38 a 40 graus. Isso desfavorece o ‘pegamento’ de frutoâ€, explica. Segundo o agrônomo, Ibitinga se localiza em uma microrregião dentro do polígono da seca e lavouras de tangerina, limão e café também são prejudicadas pelo descompasso das chuvas.
O agrônomo entende que a diversificação da lavoura é a melhor medida para a agropecuária no Estado de São Paulo. Ele defende essa tendência mesmo o agricultor necessitando de maior conhecimento técnico. Como a cada cinco anos a lavoura canavieira exige uma renovação, Moreira projeta que, para o futuro, as regiões com plantio da cana sejam também áreas cerealistas. “Mais com a soja precoce, o amendoim precoce e sorgo precoce, ou outras culturasâ€, sugere. Ibitinga sedia um Núcleo de Produção de Sementes da Secretaria Estadual da Agricultura considerado um dos poucos ativos no Estado. O número de propriedades rurais em Ibitinga saltou de 957 para 1.150 este ano. Conforme Moreira, o crescimento de propriedades se deve ao processo de reforma agrária na microrregião ser independente de políticas agrárias do governo federal. Segundo a assessoria da Prefeitura de Ibitinga, grande parte das propriedades caracteriza-se pela agricultura familiar.
Agropecuária
Alcides Moreira explica que o rebanho de frangos efetivo para corte em Ibitinga é de 150 mil cabeças que se multiplicam chegando a 600 mil aves no ano. O processo de cria do frango possui em média quatro ciclos de aproveitamento da granja (ranchada). O agrônomo comenta que o peso da ave para abate – 60 dias para engorda – está em torno de 1 quilo.
A cidade também se destaca com rebanhos de búfalos criados pelo pecuarista José Augusto Pinto das Costa, na fazenda Campo Belo, que exportou recentemente um lote de animais para a Colômbia. Na fazenda Dona Branca, o pecuarista Elston Lemos Vergaças desenvolve um projeto de produção de sêmen de bois da raça tabapuã.