09 de julho de 2026
Bairros

Arquitetura está além das técnicas


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A arquitetura extrapola as técnicas, a criação de ambientes e os princípios plásticos. Por ser arte, na opinião de dois professores consultados pelo JC nos Bairros, ela também carrega o peso das angústias e das ansiedades humanas, além de manifestar a cultura de um povo.

“Toda obra de arte se volta para a sociedade. A arquitetura busca o tempo todo a arte. A arte se aproxima da estética e da filosofia. Ela pensa o mundo, não pensa só o homem ou aquele homem”, explica o arquiteto Luiz Cláudio Bittencourt, professor doutor do departamento de arquitetura e urbanismo da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Na opinião dele, assim como para os poetas, escultores e músicos, a generosidade também é o grande motor dos arquitetos na busca pela beleza. “Evidentemente que essa beleza pode ter vários sentidos e transcende a questão do público e do privado. Ela pode ser mais estética, mas formal, mais cultural”, acrescenta.

O belo também está associado à infra-estrutura, defende o coordenador do curso de arquitetura da Universidade Paulista (Unip), Edmilson Queiroz Dias. Na opinião dele, para ser adjetivada de bela, a cidade tem de garantir justiça social aos munícipes. “Através do urbanismo isso é possível, porque ele leva saneamento, acessibilidade aos bairros por meio da pavimentação. O asfalto não é luxo, é uma necessidade”, diz Queiroz.

Com a bagagem de ex-secretário de Obras, presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) por duas vezes e também professor da Unesp, ele acredita que a cidade só terá identidade visual própria quando as necessidades básicas da população forem atendidas.

Mesmo assim, se fosse convidado a fazer uma intervenção no município priorizaria os edifícios abandonados ao longo da linha férrea. Já Bittencourt trabalharia o Horto Florestal, local que poderia aglutinar os cidadãos, assim como faz o centro da cidade. “Ele tem uma paisagem que lembra os jardins ingleses. É um espaço magnífico, sub-utilizado. Eu o abriria, romperia com as cercas”, conclui.