09 de julho de 2026
Cultura

Uma revolução na mídia

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

“Pod...o quê? Pode tudo!”. Esta é a resposta da radialista e tecnóloga em informática, Djaine Damiati, para definir a nova onda do mundo virtual: o podcast. Com ele, é possível produzir programações de rádio, ou divulgar comentários sobre jogos, música e culinária e transmiti-los por todo o mundo.

Embora ainda seja desconhecido por boa parte dos internautas, a definição de podcast é relativamente simples. Trata-se de um arquivo de áudio (normalmente em formato MP3), que pode ser disponibilizado por um site da Internet ou distribuído por um software específico, chamado de agregador.

A tecnologia que permite isso é denominada de Real Simple Syndication (RSS), que coloca as principais notícias do mundo diretamente em seu computador, além de possibilitar que o podcast seja divulgado a outros internautas. O RSS é um sistema de assinatura que automatiza a divulgação de conteúdos de um site para o outro por meio de etiquetas utilizadas em linguagens como HTML ou XML.

O termo podcast surgiu a partir dos iPods, os tocadores de MP3 da Apple que vêm revolucionando o mundo da música digital desde 2001. É uma junção de iPod com broadcast, que, traduzido, significa transmissão de rádio ou TV.

A tecnolgia é creditada ao ex-apresentador da MTV, Adam Curry. Sua idéia era desenvolver um software que transferisse automaticamente conteúdo de áudio para iPod.

Como não dominava muito bem a linguagem de programação, Curry colocou o código do programa em um site e começou a atrair desenvolvedores, que foram aos poucos melhorando o programa. A partir daí, surgiram os primeiros softwares agregadores e, por conseqüência, o fenômeno podcast.

Nova mídia

Uma revolução. O uso do podcast promete reformular os conceitos de comunicação. Para o tecnólogo em informática e organizador da Primeira Conferência Nacional de Podcast (PodCon), Ricardo Macari, o podcast é uma nova ferramenta de marketing e comunicação. “A mídia vai ter que se adaptar a essa tecnologia. Empresas que utilizam o podcast aumentam sua audiência e extrapolam os limites impostos pelos horários e alcance das ondas”, afirma.

Para Damiati, com o podcast, assistimos a um regresso à tradição oral. “A informação massificada tem perdido espaço para a comunicação ponto a ponto, em que qualquer pessoa pode transmitir informações ao mundo inteiro sem intermédio de ninguém. É uma democratização da informação”, acredita.

Por meio dessa tecnologia, qualquer usuário com acesso à Internet pode se tornar um produtor de podcast, chamado de podcaster, desde que tenha um computador com microfone e saída para áudio. Possibilidade que entusiasmou os participantes da oficina “O Tecido de Sons de Clarice Lispector”, ministrada por Damiati no Serviço Social do Comércio (Sesc) de Bauru no início do mês. Além de divulgar a nova tecnologia, o curso buscou promover a inserção digital dos envolvidos.

“Nunca tinha escutado falar sobre podcast, mas como sou estudante de Letras decidi vim por causa da Clarice Lispector. Agora que estou achando o podcast superinteressante e simples, pretendo trabalhar com ele em escolas”, vislumbra Aline Grazielli de Lucci. Na oficina, os participantes produziram um programa de rádio sobre a vida e obra da escritora e utilizaram como meio de pesquisa apenas a Internet. O resultado pode ser conferido no site www.oficinadepod casting.podomatic.com.

Damiati ofereceu o mesmo curso no Sesc de Catanduva e lá o resultado foi ainda mais animador. “O público não tinha o mínimo conhecimento da nova tecnologia e, após a oficina, dispuseram-se a criar um podcast sobre as atividades da unidade do Sesc que está em funcionamento”, entusiasma-se a tecnóloga.