08 de julho de 2026
Nacional

Doença transmitida pelo carrapato tem diagnóstico difícil e letalidade alta

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Os 25 casos de febre maculosa registrados neste ano no Estado, 13 deles fatais, deixaram a população em alerta. Isso porque a doença - transmitida pela picada do carrapato - é de difícil diagnóstico, já que seus sintomas são comuns, como febre alta, dor de cabeça e dores musculares.

Sem saber que estão doentes, muitos não procuram tratamento adequado, levando ao agravamento do quadro ou à morte - a média de letalidade em São Paulo é de 40%. Na Capital, foram registrados dois casos neste ano - ambos na região do Parque do Estado (zona sul).

Um terceiro caso suspeito continuava em investigação até a última sexta. Segundo o infectologista Thiago da Silva Mendes, da Coordenação de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal da Saúde, as áreas do Parque do Estado e do Horto Florestal (zona norte) são as consideradas de risco na cidade. Isso porque a mata desses locais é selvagem e há animais que servem como hospedeiros para os carrapatos.

Também nessas áreas foram encontradas as duas espécies de carrapatos que transmitem a doença. Os moradores já receberam orientação de prevenção. Entre elas, há a recomendação para evitar andar na mata e não deixar cachorros - também hospedeiros - soltos nas ruas, de modo que eles possam levar o carrapato para casa.

Nos locais de risco há faixas e placas alertando para o perigo. Se entrar no mato for inevitável, a pessoa deve tomar algumas precauções, como usar botas e camisas de manga longa. â€œÉ importante prender com fita adesiva os punhos da camisa e usar roupas claras para ver o carrapato”, diz o clínico-geral Fernando Noboru Miyake, do Hospital Beneficência Portuguesa de Santo André.

Se o carrapato grudar na pele é preciso removê-lo com cuidado. Caso seja esmagado, cresce o risco de infecção. Mendes diz que a pessoa tem de torcer com cuidado o carrapato, como se estivesse tirando um parafuso. Uma lenda que aumenta o risco de infecção é a de que o carrapato deve ser retirado encostando um fósforo ainda quente nele. “Até sai mais fácil, mas cresce a vasodilatação e, conseqüentemente, a chance de contaminação”, alerta.

Depois de alguns dias com febre e dor muscular, o paciente passa a desenvolver manchas na pele, as chamadas máculas, conta Miyake. Quanto mais tempo levar para iniciar o tratamento, mais as manchas se espalham e a doença se agrava. “Se for diagnosticada cedo, o tratamento é bastante simples, feito com antibióticos entre sete e dez dias, afirma o clínico geral.

Nas áreas com risco de infestação de carrapatos, uma das armadilhas usadas pelo Centro de Controle de Zoonoses funciona com gelo seco. Um pano branco com fita adesiva é passada pelo mato, ao mesmo tempo em que o gelo seco é liberado. O método solta gás carbônico, o que o carrapato entende como a passagem de um animal. Por isso, ele acaba grudado no pano com fita adesiva.