Estrutura exemplar, shows e DJs de primeira, gente bonita e o mais importante: clima de total descontração e tranqüilidade para poder curtir à vontade. Assim foi o Praia Skol, evento que ocupou 32 mil metros quadrados do Recinto Mello Moraes anteontem e reuniu entre 17 e 20 mil pessoas, de acordo com a organização.
O cenário de oásis matou a saudade daqueles que há tempos não põem os pés na areia do litoral. “Nossa, eu fiquei até assustada quando entrei. É muito grande, tudo caracterizado, com muitas coisas para fazer. Tenho certeza que vou me divertir muitoâ€, comentou Carolina Pacheco, 23 anos, momentos depois de chegar ao evento. “Só falta mesmo o mar, porque o clima está igual ao das melhores praias que conheçoâ€, completou.
Para Leandro Souza Muniz, 20 anos, a decoração e o astral o deixaram como se estivesse em casa. “Sou de Santos e estou morando aqui em Bauru para estudar. Faltam mais eventos como esse na cidade, infelizmente. Você vê que o público vem quando acontece um evento de qualidadeâ€, ressalta.
O universitário Caetano Sampieri, 22 anos, teve de mudar sua definição do Praia Skol para que ela fosse publicável. â€œÉ uma gigantesca estrutura, então (risos). Isso é excelente para a cidade, é um exemplo de como se faz um evento profissionalâ€, apontou, em um intervalo dos jogos de trivôlei.
Depois de participar do campeonato de vôlei com o time “Os Qualquer Umâ€, Francini Sanches, 23 anos, ainda se arriscou no surf mecânico. “Cheguei aqui por volta de 13h para os jogos e estou adorando. Minha expectativa é o show do Babado Novo, adoro as músicas delesâ€, disse.
Música de praia
Ainda com o sol a pino, a banda Capitão Mamão, com seu naipe de metais incendiário, subiu ao palco e soube dedilhar um repertório perfeito para a tarde de calor. Hits de Paralamas do Sucesso, Skank e Lulu Santos, entre muitos outros, fizeram o público que já estava presente no recinto pular e se animar. Em seguida, o DJ bauruense Adriano mandou sucessos e transformou a Beach Área em pista de dança natural.
Nos bastidores, a equipe do Babado Novo já se preparava para entrar. No momento em que o show era anunciado, uma grande nuvem negra passava pela região do Mello Moraes. Medo de chuva? De jeito nenhum. Todo mundo com as mãos para cima, pedindo água para refrescar o calor.
“Que calor, né gente? Espero que o público esteja quente assim tambémâ€, disse Cláudia Leitte, carismática vocalista do grupo. E o público respondeu à altura das expectativas. Apesar de ser uma banda com pouco tempo de estrada, Cláudia e o Babado souberam mesclar seus hits com sucessos de outros artistas e surpreenderam por se apresentar com o jogo ganho. A platéia dançou por mais de duas horas, sem folga, pedindo mais.
O show serve até como resposta para as pessoas que criticam a axé music como gênero vazio e puramente comercial. Sim, mas carrega multidões e deixa as pessoas à vontade para dançar, cantar e extravasar o que há guardado no peito. Preconceito não cabe no clima de praia.
Pouco tempo depois, o CPM 22 subiu ao palco. A infelicidade da banda é não possuir um repertório de hits que os possibilitaria fazer um set de mais de uma hora e meia com toda uma platéia acompanhando – como fariam Paralamas, Capital, Barão Vermelho, Lulu Santos ou Nando Reis.
Assim, o público ficou disperso durante todo o show, cantando mais alto apenas em hits como “Irreversívelâ€, “Dias Atrás†e “Um Minuto para o Fim do Mundoâ€. “Eles não se comunicam com as pessoasâ€, criticou Lílian Guimarães, durante a apresentação.
Assim que a banda encerrou, o VJ da MTV Edgard Piccoli assumiu as pick-ups do bangalô na Beach Area e mesclou um set de músicas conhecidas, como “Hung Upâ€, novo single de Madonna, e “Wonderful Nightâ€, de Fat Boy Slim, com outras mais raras. E o público dançava... O resultado é um sinal claro de que Bauru comporta, sim, eventos dessas proporções. Que venham os próximos.
Transporte alternativo
No clima festivo do Skol Praia, cerca de 45 estudantes - preocupados com a dificuldade para estacionar e procurando evitar possíveis acidentes por conta do consumo de bebida alcoólica - alugaram um trenzinho para ir à festa. Organizado por uma república de estudantes de engenharia mecânica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o trenzinho saiu por volta das 16h30 de anteontem das imediações do Centrinho e retornou ao mesmo local às 2h30 de domingo. Segundo os organizadores, o transporte alternativo - que já os havia transportado ao show da cantora Ivete Sangalo - deverá ser utilizado outras vezes, pois é uma forma eficiente de interação entre os estudantes. (Rafael Tadashi)