Gostaria que fosse publicado na referida Tribuna o texto conforme segue, pelo que antecipadamente agradeço. Loyola, A Estação e Nós - Ignácio de Loyola Brandão publica suas crônicas semanalmente no Estadão, às sextas-feiras. Tenho notado que um dos seus temas preferidos é a questão ferroviária. Seus laços são muitos fortes com os trilhos, pois seu pai foi ferroviário em Araraquara, sua cidade natal. Em 30/09, ele citou Bauru e nossa famosa Estação Central, em algo que muito nos enalteceu: “Bauru tinha a mais bela estação de todo o interior paulista”.
Ele não parou por aí, questionando sobre os destinos dados aquela belíssima edificação: “O que terá sido feito daquele prédio incrível, sempre superlotado, com várias plataformas e milhares de pessoas fazendo baldeação?”
Na semana seguinte, 7/10, Loyola volta ao tema, escrevendo sobre o destino dado a algumas estações mineiras, Monte Carmelo, Araxá e Araguari, que já não se encontram abandonadas: “Em três cidades, a cultura, tendo gente, que se preocupa com ela, se estabeleceu em estações ferroviárias desativadas (...), transformando-as em centros culturais, onde acontece de tudo, o tempo inteiro, para todas as idades. Modificou o cenário. (...) Uns trabalharam no lado político, burocrático e administrativo para liberar o espaço. Outros arregimentaram voluntários, foram para o local e entraram em ação tirando toneladas de lixo, raspando chão. (...) Enquanto isso, arquitetos em conjunto com o Patrimônio Histórico faziam o projeto de restauração. Tudo concluído, Araguari se encheu de orgulho. Tanto que a Prefeitura decidiu se instalar ali, coabitando com os setores culturais, entre os quais um museu. Quando você chega na cidade contempla a estação, imponente. (...) À noite, a iluminação a torna magnificente, um palácio. Assim acabou denominada: Palácio Ferroviário”.
O destino dado às três estações visitadas por Loyola é algo que está para acontecer em nossa cidade, também graças ao Poder Público. Passamos pelo mesmo processo de degradação e estamos na iminência de que algo de concreto ocorra, pela sua reativação, restauração e ocupação. Se o setor que vai propiciar isso é a Educação ou a Cultura é o que menos importa, pois acreditamos numa total integração lá na frente. A cidade clama pela reestruturação do seu antigo centro, hoje degradado e abandonado. A real possibilidade está diante dos nossos olhos. Basta querer um pouco mais.
Omissão é o que não deve ocorrer nesse momento histórico. Estamos diante de uma possibilidade concreta, que tem seus dias contados para acontecer. Ou a cidade toma partido, luta pela reconquista desse espaço, se engaja ao lado do Poder Público Municipal ou vamos continuar vislumbrando aquele magnífico espaço abandonado até não mais poder. Se a vontade é coletiva, que assim ocorra. Lutemos mais pelas nossas causas.
Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2