09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O que ocorre na França


| Tempo de leitura: 3 min

Gostaria de fazer um contaponto necessário às palavras escritas pelo sr. Adilson Luis Gonçalves, que na coluna “Opinião” deste prestigioso jornal as publicou com o seguinte título: “Liberté, Egalité, Fraternité” e que, por sua vez, para os que não saibam, são as palavras de ordem que moveram os revolucionários franceses pelas ruas da França à época da queda da Bastilha! Os incêndios que ocorrem na França de hoje e com especial ênfase nos subúrbios de Paris nada têm a ver com o espírito revolucionário dos que no passado histórico desejaram derrubar a tirania de um rei, e tampouco pode ser comparada (como desejam alguns desinformados e engajados intelectuais e que, adianto, não é o caso do sr. Adilson) aos inflamados e românticos estudantes que tornaram famosos os episódios do conhecido “maio de 68” quando ergueram barricadas pelas ruas da cidade-luz pedindo o fim da guerra do Vietnã ,a reforma universitária, o amor-livre, etc,etc!

O que esta a ocorrer nos dias atuais em Paris e no resto da França (e já se fala também em algumas outras cidades da europa) nada tem a ver com um pseudo “grito das massas excluídas” e outras bobagens de cunho pretensamente marxista... não! Trata-se de algo que a mídia brasileira teima e insiste em não abordar do mesmo modo que os ditos “intelectuais” das universidades, na mais pura expressão dos sociólogos, antropólogos e todos os demais “ólogos” cujo compromisso com a divulgação do saber através do exercício racional das idéias fica sempre atrás (e bem atrás) da questão ideológica, que a tudo “explica” e justifica sob esta ótica...os distúrbios em Paris estão relacionados efetivamente com o radicalismo islâmico que encontrou nos filhos e netos dos imigrantes árabes um terreno fértil para se desenvolver!

Se estes ditos intelectuais e principalmente os jornalistas do Brasil se dessem ao trabalho de ler os textos de um certo Dyab Abou Jahjal, da Liga Arabe-Européia, cuja fama faz a cabeça dos que estão a incendiar automóveis e a matar pessoas (aqui, igualmente pouco divulgado nas matérias dos jornais nacionais), leriam coisas do seguinte tipo:"...vocês não devem se integrar a nenhuma sociedade ocidental ainda que estas democracias lhes permitam professar o Islã! Se integrar é o mesmo que aceitar um estupro cultural!! Integrem-se econômicamente, peguem o dinheiro deles e financiem a revolução do Islã no Ocidente!!”

E mais,...vitaminam estas badernas as guangues de drogas e quadrilhas dos subúrbios compostas em sua grande maioria por marroquinos, argelinos e senegaleses, que emigraram nos anos 90 para a França fugindo do desastre econômico que se tornaram estas nações após o fracasso de governos revolucionários que se seguiram após a independência destes países da então França colonial, embalados pela utopia do socialismo!!

Mas isto os jornais, os articulistas e os “ólogos” não dizem... Existe outra verdade que tambÉm não é dita; a de que os imigrantes das antigas colônias que foram para a França nos anos 70 hoje estão plenamente integrados economicamente e não raro ocupam os mais altos postos na vida privada e pública da Republica Francesa... Acertou o ministro francês Sarkozy ao bem nomear os baderneiros de “racaille” e cuja má tradução em um jornal de grande circulação nacional foi “gentalha”, quando o correto seria dar nomes aos bois, ou seja, ralé!

Eu diria mais; não passam mesmo de simples baderneiros ao qual o politicamente-correto que permeia a sociedade francesa ainda pagará muito caro por assim tratá-los... Para alguns qu,e assim como eu, na condição de estrangeiros que por algum tempo estiveram a serviço da França e que aprenderam a amar e a respeitar os valores daquela grande República, é tão revoltante ver as fotos dos rolos de fumaça que emergem da capital francesa estampadas nos jornais diários tanto quanto a desinformação deliberada sobre o que de fato esta a ocorrer! Vive la France!

Paulo Boccato