08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Cochilo das deusas da sabedoria e da ciência


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Num cochilo das deusas da sabedoria e da ciência, surgiu uma “brilhante” idéia: simplificar a língua portuguesa, tirando tudo quanto possa dificultar seu aprendizado, como uso de x, de ss, de j e g e assim por diante. Poderiam ampliar a idéia, sugerindo também a simplificação da matemática, tirando logaritmos, raízes quadradas e assemelhados.

Simplificando a geografia, tirariam lugares recônditos de nomes mais difíceis, da história eliminariam os fatos de compreensão mais apurada, que exigissem um certo grau de inteligência, da física, da química e da biologia, da mesma forma, seriam suprimidos elementos mais complexos, nomes difíceis de entender e comportamentos de órgãos de maior complexidade e de menor interesse para o vulgo, já que se trata de simplificar tudo. Assim seria tudo muito mais fácil para todos; os novos professores não precisariam estudar, se reciclar se aperfeiçoar, os seus alunos não precisariam “queimar pestanas” em cima de livros, manuais, dicionários e apostilas de grandes mestres e doutores, os quais nem precisariam escrevê-las e nem mesmo seriam necessários mestres e doutores.

Tudo seria tão simples que qualquer semi-alfabetizado não teria dificuldade em entender. Enfim, parece que estudar nem é preciso mesmo mais, já que estamos vendo no dia-a-dia, exemplos que vêm de cima, nem o presidente precisou fazer uma faculdade. Para quê? Só que na hora do aperto, ele se apoia em quem cursou um pouco mais do que a “sabedoria” sugerida pelos simplistas. Há, por outro lado a considerar que hoje em dia, quem quiser ter um bom emprego, que não seja de presidente da República, precisa sim estudar, precisa saber escrever um relatório, uma petição, um memorando, um despacho em processo, com todos os x, os ç, os h e sc, os ss.

Isolina Bresolin Vianna - Academia Bauruense de Letras - cadeira 12