08 de julho de 2026
Nacional

Bebê morre e mãe é presa em Itápolis

Por Ana Lígia Vasconcellos | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Itápolis - Um bebê de três meses morreu na manhã de sábado em Itápolis após, de acordo com a Polícia Civil, ter sido deixado em casa desde as 20h do dia anterior pela mãe, Valéria da Silva Roza, 26 anos. Ela foi presa anteontem. O menino foi deixado na casa da família, em uma espécie de cortiço na região central da cidade, com quatro irmãos - o mais velho de 10 anos.

Por volta das 10h, vizinhos chamaram uma ambulância para socorrer o bebê, que aparentava não estar bem. A criança deu entrada na Santa Casa de Misericórdia e Maternidade Dona Julieta Lyra, em Itápolis, às 10h30, já sem vida. O menino nasceu em agosto naquela maternidade e morreu sem ao menos ter sido registrado.

Segundo a delegada de Itápolis, Cyntia Lepes Santiago, testemunhas disseram ter ouvido a criança chorar a madrugada toda. “A criança não agüentou. Aconteceu alguma coisa com ela durante à noite e ela não foi socorrida”, disse. O laudo sobre a causa da morte deve ser divulgado pelo Instituto Médico Legal em dez dias.

A moradia é um cômodo de uma construção ocupada por várias famílias -não há energia e a divisória entre as famílias, às vezes, é um móvel. “A casa estava numa situação péssima de higiene, nunca tinha ido a um lugar como aquele. Não havia nada na geladeira para comer e restos de comida e fezes pelo chão. As crianças estavam deitadas em colchão sem capa. O chão estava molhado e sujo”, disse Santiago.

“As crianças estavam sujas, descalças, muitas sem roupa íntima”, afirmou a conselheira tutelar Maurita Massari Porto, 38 anos, que encaminhou as outras quatro crianças - de 10, 7, 3 e 2 anos - para o Lar São José. A mãe foi localizada na casa de uma amiga, no Jardim São Lucas, distante do Centro. “Ela disse que estava arrependida, que saiu alcoolizada, e que a última coisa que esperava que fosse acontecer era isso”, disse a delegada.

A reportagem não conseguiu falar com familiares da mãe - segundo a polícia, o pai da criança e uma avó (mãe da mãe) estão presos por tráfico de drogas. Até ontem à tarde, Roza não tinha advogado.