08 de julho de 2026
Nacional

Aécio pede apoio para barrar Serra e Alckmin

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), reuniu ontem numa mesa de restaurante apoio de fora de seu partido -o vice-presidente, José Alencar (PR), e o ex-presidente Itamar Franco (PMDB) - para tentar entrar na luta entre os tucanos para disputar a Presidência no ano que vem, ontem polarizada entre os paulistas José Serra e Geraldo Alckmin. Horas antes, Aécio fechou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, um pacto para evitar a antecipação do processo eleitoral e conter a radicalização de ataques entre governo e oposição.

Na conversa, Lula e o governador também concluíram que a permanência de Antônio Palocci no Ministério da Fazenda é fundamental para o governo e importante para os partidos de oposição que almejam chegar ao Planalto em 2007. No almoço com Itamar e Alencar, Aécio deixou evidente que não aceita como favas contadas que o candidato tucano será paulista: “Acho que esse jogo está mal jogado. Se começa já a um ano da eleição uma polarização a partir de São Paulo, que transfira uma disputa de poder paulista para o resto do País, isso não é bom”, disse depois do almoço, regado a vinho tinto.

O mais enfático em contestar o que antes era tido como um consenso, a disputa apenas entre Serra e Alckmin, foi o ex-presidente da República. “Acho que essa questão bipolar, nós precisamos eliminá-la do quadro de 2006. Por que PSDB paulista contra o presidente Lula? Isso não vai acontecer, eu tenho certeza”, afirmou Itamar.

No início de setembro, o ex-presidente, ontem no PMDB, já havia lançado a candidatura de Aécio à Presidência, em sua primeira entrevista depois de voltar da Embaixada de Roma. “Minas tem que acordar, porque os paulistas estão se mexendo de forma muito audaciosa. Eles estão ganhando velocidade e, depois, fica difícil acompanhar”, disse, na época.

Ontem, os três mineiros parecem ter colocado em prática sua teoria. Aécio, a todo momento, dizia que o encontro não era para definir uma candidatura, mas que ela poderia se lançar, “por que não?”. O governador mineiro afirmou que, ontem, ninguém tem direito a ser o nome do PSDB contra Lula no ano que vem. “Alguém é candidato se construir as condições para ser candidato. O que eu concordo com o presidente Itamar é que não existe uma decisão. Se houvesse esse nome absolutamente natural, ele já seria candidato”, disse Aécio, para depois acrescentar: “Tenho companheiros de São Paulo absolutamente qualificados para a Presidência da República, mas, do ponto de vista partidário, tem de ser uma decisão nacional, jamais pode ser regional”.

O encontro de ontem foi o primeiro de uma série de reuniões que os três mineiros planejam fazer, ao menos até meados do ano que vem, quando imaginam que será de fato definido o nome tucano. O mais calado dos três era o vice-presidente Alencar, mas ele também dizia concordar com os dois colegas. “Estão aqui três mineiros que têm sentimentos nacionais, aí as conversas são nacionais”, falou. “Não havia aqui nenhuma conversa de candidatos, mas uma conversa de brasileiros”.

Questionado se está preparado para ser candidato a presidente, Aécio respondeu: “Não temo isso, ao mesmo tempo em que não imponho isso”.