Assim como os acústicos, os álbuns ao vivo e as trilhas de novela, os discos de MPB eletrônica já se tornaram um padrão do mercado fonográfico nacional. Realizações providenciais, surgem para preencher esse espaço e agradar um público crescente, ainda que pelas beiradas, muitas vezes dos indepententes, como é o caso de dois lançamentos atuais: “Na pista, etc”, com regravações eletrônicas de Djavan pelo próprio, e “Quero dizer a que vim”, com remixes de músicas brasileiras variadas pelo DJ Zé Pedro, que se tornou notório como personalidade televisiva no programa de Adriane Galisteu.
Antes que alguém pergunte qual a razão da existência ou relevância de um disco de alguém como o DJ Zé Pedro, vale lembrar que sua função é mais que lançar discos, é efetivamente ser disc-jóquei. Amigo das estrelas, autor de trilhas de desfiles de moda, ele serve também para animação de festas, baladas, eventos.
Naturalmente, o bom gosto de quem o convida para animar sua festa é discutível, mas a justificativa é real. Seu disco, que tem várias boas idéias e seleciona algumas canções bacanas, funciona para mostrar que a MPB eletrônica ainda precisa comer muito arroz e feijão para fugir das obviedades e se tornar interessante para quem busca mais que a animação sem senso crítico.
Chico Buarque, Gal Costa, Jorge Ben(jor), Djavan, Jair Rodrigues, Zé Ramalho, Marina Lima, Fernanda Porto e Ana Carolina (cantando João Bosco), além de alguns bons achados como Banda Black Rio e Baiano & os Novos Caetanos, estão entre os remixados por Zé Pedro em eletro, house e drum’n’bass. Não é difícil perceber que a qualidade do CD não dura muito mais do que o tempo de uma festa na Vila Olímpia. Já Djavan é um caso mais delicado.
Admirado por muitos, tido como altamente cafona por tantos outros, sua importância e qualidade são, sob certos aspectos, indiscutíveis. Mas o fato é que ele, com 30 anos de carreira, já chegou naquele ponto em que joga pra ganhar. Seu público já está estabelecido e é para ele que Djavan faz música. Assim, não se avalia mais um disco novo de Djavan pela sua qualidade ou inovação ou relevância, mas pelo seu potencial perante seu público.
Djavan é Djavan. Seu público vai gostar do álbum eletrônico? Provavelmente sim. Quem não gosta dele vai gostar? Provavelmente não. Produzido por Liminha e Donatinho (filho de João Donato, também pianista, adepto de eletrônicos e sempre atrás de timbres, pianos e teclados antigos), o disco traz regravações de músicas como “Sina”, “Fato Consumado” e “Se”.
Os detalhes interessantes existem - uma levada latina aqui, um talk box acolá - mas estes se perdem entre timbres, batidas e maneirismos de interpretação manjados. Com tudo isso, fica claro que o que move a eletrônica na MPB não é apenas buscar uma maneira nova de se fazer e ouvir música, mas fazer parte de toda uma “cena”. O que é válido. Tomara apenas que isso seja um processo evolutivo que desemboque, em breve, em músicas mais originais e interessantes.