11 de julho de 2026
Nacional

Ministro ‘está firme’, garante presidente

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Luziânia - Mesmo diante das ameaças de Antônio Palocci Filho de deixar o cargo por conta de seu enfraquecimento no governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o ministro da Fazenda está “mais firme do que nunca”. A declaração foi dada em Luziânia (GO), onde Lula participou de evento com trabalhadores rurais, e ocorreu debaixo de chuva, no trajeto entre o salão de eventos e os carros da comitiva presidencial.

No percurso, o presidente foi questionado por jornalistas se Palocci continua no governo. “Ele (Palocci) está mais firme do que nunca”, disse o presidente, ao lado de um segurança que tentava protegê-lo com um guarda-chuva. Sorridente ao cumprimentar os jornalistas, o presidente adotou um semblante sério ao responder, com aparente convicção, sobre a situação de Palocci, que, um dia antes, havia lhe dito que poderia deixar a pasta caso não tivesse suas reivindicações atendidas no governo.

A seguir, já à frente do veículo presidencial e cercado por seguranças e assessores, Lula gesticulou negativamente com a cabeça ao ser indagado se realmente Palocci não deixará o governo no momento em que sofre pressões por mudanças na política econômica e, ao mesmo tempo, responde a denúncias de corrupção. Em Luziânia, município do entorno de Brasília, o presidente participou de congresso da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Brasil (Fetraf).

Logo no início do evento, depois de ter ouvido gritos de seu nome seguidas vezes pelos cerca de 2 mil presentes, Lula acompanhou uma apresentação teatral na qual o tema era o confronto do “bem” contra o “mal”. A atriz que simbolizava o “capitalismo” e a “concentração de terra” estava vestida de “capeta”, com um curto vestido preto e um par de chifres de papelão na cabeça. Ao deixar o evento, o presidente gargalhou ao ser questionado, por duas vezes, se o “capeta” está atacando o Palocci, que condiciona sua permanência ao fim do chamado “fogo amigo”.

Ontem, em sua fala de 45 minutos toda improvisada, o presidente não abordou a questão econômica do governo. Se resumiu a relatar uma série de números sobre agricultura familiar, Luz para Todos, compra de leite e de alimentos e Bolsa-Família, o que provocou uma certa dispersão dos presentes, que, antes da fala, estavam preparados para um discurso em clima eleitoral. No dia em que nova pesquisa CNT/Sensus mostrou que o prefeito paulistano, José Serra (PSDB), venceria Lula num evento segundo turno em 2006, dentro da margem de erro, o presidente insinuou que não terá um segundo mandato no Palácio do Planalto. A declaração, dias depois de ter admitido (e depois recuado) sua candidatura, ocorreu no momento em que cobrava dos agricultores a elaboração de projetos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Vocês (agricultores) podem fazer isso [projetos], e o BNDES certamente dará a assessoria que for necessária. E vocês têm que aproveitar porque o mandato termina no dia 31 de dezembro do ano que vem. Aproveita, porque senão, depois, vocês não vão nem conseguir falar “bom dia’ para o presidente do BNDES”, disse arrancando aplausos dos presentes.

Antes, Lula havia ouvido do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, a promessa de apoio caso decida disputar a reeleição. E, mesmo pela manhã tendo articulado com o governador Aécio Neves (PSDB-MG) uma espécie de pacto de não-agressão com a oposição, Lula não perdeu a oportunidade de atacar os adversários: “Porque tem gente que não quer acabar com a miséria neste país, porque a miséria é a fonte da sua manutenção em cargos políticos”.