10 de julho de 2026
Nacional

Lula diz que Palocci vai ficar até o fim

Por Luciana Brafman | Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

Rio de Janeiro - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci , permanece no cargo até o fim do governo e o qualificou como “imprescindível”. “(Palocci) Está tranqüilo. Acho que não dá para a gente se deixar levar por especulações. O Palocci é uma figura imprescindível ao Brasil. Todos sabem o que o Palocci significa para a economia brasileira”, disse Lula a jornalistas depois de inaugurar a plataforma da Petrobras P-50, no estaleiro Mauá Jurong, em Niterói (RJ).

Questionado se Palocci fica até o fim de seu mandato, Lula confirmou: “Ele? Fica, fica”. O presidente aproveitou para criticar os que, segundo ele, torcem contra o País e disse que os brasileiros deveriam ser gratos ao ministro. “Acho que tem gente que aposta que o Brasil não dê certo. Aliás, tem gente que só sabe trabalhar em cima da desgraça dos outros. Acho que as pessoas deveriam ser agradecidas pelo que o Palocci fez pela economia deste País.”

O presidente usou exemplos do futebol para responder a duas questões delicadas. Praticamente descartou ter que escolher entre a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e Palocci, comparando os ministros a jogadores diferentes de uma mesma equipe. “Um time de futebol só dá certo porque tem 11 jogadores com características diferentes. No governo é a mesma coisa.”

Sobre a possibilidade de ser ou não candidato no ano que vem, Lula se esquivou, usando o time do qual é torcedor. “Não vou responder isso aqui, porque tenho muito chão. Primeiro preciso esperar o Corinthians ser campeão para depois ver o que vou fazer.” Mas antes, em discurso de improviso, presidente havia adotado tom de campanha.

A uma temperatura próxima dos 33ºC, inquieto e suando muito - sem abandonar um lenço branco que usava para secar o rosto e a nuca - Lula aproveitou a platéia de trabalhadores, sindicalistas e empresários para criticar o desempenho do governo anterior em diversas áreas, como emprego, energia e educação. Sempre que fazia uma crítica ao antecessor, citava em seguida números e feitos positivos de sua gestão.

Em nenhum momento, no entanto, Lula referiu-se ao nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ao fim do discurso, disse que as eleições não mudam o rumo de seu governo. “Não haverá nenhum momento em que a eleição me faça mudar a trajetória que nós traçamos para este país.” Lula pediu para que as pessoas “não se preocupem com as coisas que saem, os denuncismos, as brigas” porque “isso atormenta, perturba todo mundo”. Deu um recado aos críticos de seu governo, dizendo que somente na teoria cabe tudo. “A diferença básica é que quando você vira governo, você sai da era do “eu acho’ para a era do “eu faço’.”

O presidente destacou a conjuntura econômica favorável e, provocativo, afirmou que, de 1994 a 2002, a média mensal de geração de empregos com carteira assinada, de acordo com o Caged, foi de 8.000 por mês. Comparou com o saldo mensal de 108 mil durante os 35 meses de seu governo. “Eles ficam doidos quando eu falo isso, mas eu vou falar o que eles não gostam que eu fale. Eu gosto de falar”, disse, bem-humorado, ao som dos aplausos dos trabalhadores. Até o saldo do FGTS foi usado para comparar desempenhos.

Lula afirmou que, no governo do antecessor, o saldo foi de R$ 9 bilhões, valor que está em R$ 15 bilhões no seu governo, “a prova maior que o emprego está acontecendo”. Lula também fez críticas ao ex-presidente Fernando Collor, quando ressaltou a importância de pagar salários melhores aos profissionais qualificados do setor público. “Muitas vezes fomos induzidos a achar que os funcionários tinham que ser mal remunerados, porque senão seriam marajás. Afinal de contas, alguém foi eleito neste país um dia dizendo que ia caçar marajá. Todo mundo sabe o que significa uma frase de efeito neste país.”

Outra adversária, a governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB) - representada no evento pelo secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio, Wagner Victer - recebeu uma menção irônica de Lula, que a chamou de “governadora Garotinha”.

Depois do discurso, içado por um guindaste, o presidente subiu na plataforma, onde reclamou do calor. Em seguida, num salão refrigerado, almoçou arroz, feijão tropeiro e picanha, acompanhado de empresários, como o presidente da Repsol, João Carlos de Luca; dirigentes de estatais, como o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli; ministros, como Marinho e Silas Rondeau (Minas e Energia) e políticos, como o prefeito de Niterói, Godofredo Pinto (PT) e o de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT).

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Dez anos em três

Rio de Janeiro - Na segunda solenidade que participou no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as realizações dos três primeiros anos de seu governo proporcionarão ao Brasil “dez anos de crescimento”.

A cerca de 150 empresários reunidos na abertura da 25ª Enaex (Encontro Nacional de Comércio Exterior), o presidente disse que, “da parte do governo”, o processo eleitoral do ano que vem não resultará em “nenhuma medida para colocar em risco a estabilidade” econômica do País. “Não tenho dúvida nenhuma.

O que nós conseguimos fazer nestes três anos vai possibilitar que este país possa ter pelo menos dez anos de crescimento. Não depende de ninguém a não ser de nós. Somente nós é que podemos fazer isso”, afirmou o presidente, que abandonou o discurso escrito e falou de improviso, por 45 minutos, a cerca de 150 empresários.

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