Há quem diga que ir a encontros ou campeonatos de “tuning”, a arte de personalizar os automóveis, é perder tempo, porque tudo é sempre a mesma coisa. Grande engano, pois basta comparecer a eventos do gênero para comprovar que há sempre surpresas reservadas. Prova disso foi a etapa bauruense do Campeonato Brasileiro de Som, Tuning e Rebaixados, realizada no último final de semana, no Centro de Convenções Mixage, com apoio da MTM, uma das mais tradicionais empresas do ramo no País.
Quem compareceu à competição certamente não se arrependeu. A começar pela organização, que não permitiu “zoeiras”, como manobras arriscadas de veículos próximo ao público, e coibiu a ação daqueles que exageravam no volume do som. “O evento prezou pelo respeito aos visitantes e o maior exemplo disso foi que várias famílias compareceram”, destacou Kássio Jarbas Moura, um dos organizadores.
Entretanto, quem deu “show” mesmo foram os veículos, que impressionaram pela qualidade e bom gosto das modificações. Um dos que mais se destacou foi o Celta do bauruense Ricardo Ribeiro, fã recente do “tuning”. “Sempre participei de campeonatos de som, mas depois que comecei a enveredar pelo tuning descobri que é isso que realmente adoro”, frisou. “É prazeroso você investir - ele já gastou cerca de R$ 30 mil, fora o valor do carro, nas transformações - e depois ver os resultados. Principalmente porque mexe com a vaidade da gente, pois o pessoal que vê o veículo sempre elogia”, acrescentou.
Ribeiro revelou que preparou o “Celtinha” durante os últimos seis meses, período em que ele ganhou rodas aro 17, adesivagem na pintura, freio a disco nas quatro rodas, lanternas cristal, grade do radiador tipo “colméia” e bancos de couro mesclados em tons de preto e azul, além de uma série de itens esportivos: pára-choques, volante, pedaleiras, manopla de freio de mão, tapetes de alumínio e os tradicionais “reloginhos”.
E, como não poderia faltar, também conta com um potente sistema de som composto por toca-CD, DVD, módulos digitais e alto-falantes especiais para competição. “Fiquei contente com essa preparação porque ela é harmônica, pois modificou muitas coisas, mas manteve alguns itens originais do carro, como o painel”, salientou Ribeiro. E completou: “Agora só falta turbinar e colocar teto solar e suspensão a ar.”
Outro que também tornou-se o centro das atenções foi o comerciante Rodrigo Faulin, que veio do município de Laranjal Paulista para Bauru especialmente para exibir um Daewoo cheio de estilo equipado com um “mundo” de acessórios que causou “frisson” entre os apaixonados pelos “tunados”.
Isso porque o veículo conta com pára-choques envolventes, rodas aro 17, cinco telas de DVD, aerofólio, um aquário no porta-malas, kit esportivo no interior - volante, manoplas, pedaleiras - e detalhes que fazem os “tuneiros” suspirarem, como portas que se abrem em estilo gaivota, suspensão a ar, turbo e nitro no motor e o conhecido “sopro de dragão”, equipamento que faz o automóvel soltar fumaça.
Com um carro tão completo, poder-se-ia até pensar que Faulin fosse um “fanático” por “tuning”. Errado. “Não curtia tuning. Meu negócio era competir com som, mas depois começaram a me incentivar a tunar o veículo. Como som ele já tinha, instalei os pára-choques, a suspensão a ar e aí começou a febre, que não parou nunca mais”, contou.
E hoje, após o automóvel já ter faturado mais de 30 campeonatos na categoria, Faulin não quer mesmo parar. Ele pretende equipar ainda mais. “Como o banco traseiro não dá para ser ocupado por pessoas em razão dos pistões das portas pneumáticas, quero aproveitar esse espaço para aumentar o som”, concluiu.