10 de julho de 2026
Nacional

Harry Potter: Sexto livro encolhe em português

Por Luciana Coelho e Leandro Fortino | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Quem morre? Quem é o Príncipe Mestiço do título original? E, principalmente, como a versão em português de “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, sexta empreitada de J.K. Rowling sobre o bruxo adolescente fadado a salvar o mundo, tem 140 páginas a menos do que a edição publicada nos EUA em julho? Hoje, quando o volume começar a ser vendido nas livrarias brasileiras, os leitores curiosos terão as duas primeiras respostas. Mas a última incógnita continuará a pairar no ar. Afinal, a tradutora Lia Wyler e a editora Rocco “enxugaram” o enredo?

Por e-mail, Wyler disse que não reduziu a história. Segundo a Rocco, o volume menor se deve ao tipo de diagramação (número de linhas por página e tamanho da letra, por exemplo) - cortes no texto são proibidos por contrato. Na versão britânica, com diagramação mais enxuta que nos EUA, o livro tem 608 páginas.

Polêmicas de lado, a tradução de Wyler continua competente. O texto de Rowling está cada vez mais prolixo - talvez culpa das dezenas de cadernos que a autora diz manter com detalhes sobre cada personagem. Desta vez, a história só começa a ficar interessante no capítulo 17, quando surgem informações importantes sobre o passado de Voldemort. Para os fãs do arquiinimigo de Harry, “O Enigma” é um prato cheio e saboroso. Fazendo dos vilões as estrelas do sexto livro, a autora também aproveita para dar vazão ao seu lado “serial killer” - desde o quarto volume, “O Cálice de Fogo”, cuja versão cinematográfica entrou ontem em cartaz, a cada livro ela mata de forma trágica um personagem importante.

Para quem não consegue conter a curiosidade, a morte que deixou fãs em alvoroço está na página 468. Se você sabe o nome da vítima (e não queria saber), anime-se: para o desenrolar da história, as circunstâncias do assassinato são mais interessantes do que a identidade do morto em si. A intensificação do tom sombrio da história marca também o amadurecimento dos personagens e dos leitores.

“O Príncipe Mestiço” é um livro mais adulto e mais sofisticado do que os anteriores, não só porque a autora aumentou a dose de hormônios e tragédias, mas porque se tornou menos maniqueísta (personagens bons também têm um lado sinistro) e mais cínica.