09 de julho de 2026
Bairros

População reclama de carrapatos na cidade

Fábio Marinari
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores do Parque Real, localizado na Zona Oeste de Bauru, afirmam que carrapatos são encontrados com freqüência no bairro. A área fica próxima a propriedades rurais, por isso, animais como cavalos, vacas e cabritos circulam livremente pelas ruas do local, onde crianças costumam brincar.

De acordo com o autônomo Jorge Felipe Vieira, os parasitas estão espalhados por toda a área. “Basta sentar para conversar um pouquinho na rua que já tem carrapato andando pela nossa roupa”, diz. Vieira explica que já encontrou o parasita dentro da casa onde mora e afirma que as crianças correm maior risco de serem picadas. “Elas andam no meio do mato, descalças. Acho isso muito perigoso”, comenta.

A pensionista Leonice Pereira Hashimoto, diz ter se assustado quando assistiu na televisão que algumas pessoas haviam morrido por causa da febre maculosa. “Levei um susto porque aqui no Parque Real tem bastante carrapato-estrela. Inclusive eu já fui mordida algumas vezes”, relata. Ela comenta que agentes sanitários vistoriaram a casa dela, mas, na época, o objetivo era a eliminação de focos do mosquito da dengue.

No Parque Viaduto, também na Zona Oeste, o desossador Samuel dos Santos reparou que o aparecimento de carrapatos está relacionado à temperatura. “Havia muitos desses bichos aqui no bairro, principalmente quando estava muito calor e não chovia”, diz. Santos alega que o tráfego de animais de grande porte é constante naquela área.

Para o chefe do Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) de Bauru, Luíz Ricardo Cortez, não há motivos para alarde. Ele recorda que não existem casos antigos de febre maculosa na cidade e promete um controle mais efetivo da circulação de animais pelas ruas do município.

A manicure Luciana Francischini, moradora da Vila Cardia, próxima à área central do município, encontrou no interior de sua casa oito carrapatos em apenas um final de semana “Dá para ver os bichinhos subindo pelas paredes”, relata.

Além dos parasitas, Francischini também já encontrou aranhas e ratos no quintal de sua casa. Com dois filhos pequenos, ela demonstra preocupação em relação à saúde dos meninos. “Graças a Deus nenhum deles ficou doente por causa dos carrapatos, mas temos que ficar sempre alertas”, diz a manicure, que já lavou os muros de sua residência com produtos químicos, mas não conseguiu exterminar os carrapatos.

“Já encontrei esses carrapatinhos subindo na roupa, na barra da calça e também no sapato”, cometa o promotor de vendas Marcon de Oliveira Cruz, marido de Luciana. O casal desconfia que a morte do cãozinho que havia na casa esteja relacionada à doença do carrapato.

Embora more numa região afastada das áreas rurais, ele atribui o surgimento dos parasitas a um terreno baldio que fica ao lado de sua moradia. “Pedimos várias vezes para a Regional do Centro tomar uma providência. Já fazem seis meses e até agora não fizeram nada”, comenta Marcon. Consultado pelo JC, o diretor do da Administração Regional Centro, Darcy Rodrigues, afirmou que encaminhou o caso ao setor de fiscalização da prefeitura há alguns meses.

De acordo com o diretor do departamento de uso e ocupação do solo, Roberto Rossi, o proprietário do lote foi autuado em julho e no final de outubro. “Ele terá 30 dias para recorrer da última autuação a partir da publicação em diário oficial, que ocorrerá na próxima semana”, explica Rossi. Depois desse prazo, caso não haja manifestação por parte do dono, a prefeitura irá acionar a Secretaria das Administrações Regionais (Sear) e solicitar a limpeza do local. Os custos serão cobrados do proprietário.