Mesmo que o carrapato-estrela não esteja infectado com a bactéria Rickettsia rickettsii, causadora da febre maculosa, a picada deste parasita, ou até mesmo de outra espécie, pode provocar uma reação alérgica na área afetada, causando coceiras, feridas e até inflamações. De acordo com o médico especialista em doenças de pele (demartologista) Ivander Bastazini, seu consultório atende com freqüência pessoas mordidas por carrapatos e que tiveram algum tipo de irritação na pele. “Felizmente, não há registros da febre maculosa em Bauru, mas as picadas são comuns”, explica.
Bastazini indica uma série de medidas preventivas para impedir que o parasita suba no corpo das pessoas. Uma delas é evitar andar em locais onde existam maior incidência de carrapatos, como as áreas rurais e matagais, por exemplo. No entanto, no caso disso ser inevitável, ele recomenda o uso de roupas claras para perceber com maior facilidade que o bichinho está subindo nas vestimentas. “Quando o carrapato se adere à pele, demora de três a quatro horas para transmitir a doença, por isso é essencial que seja visto e retirado o mais rápido possível”, afirma.
Para dificultar o acesso do parasita ao corpo, o dermatologista sugere que as pernas das calças sejam colocadas para dentro das botas e seladas com fita adesiva, que também pode ser usada para fechar as mangas de camisas compridas. Repelentes são recomendados, mas a prevenção também deve ser feita nos animais domésticos, utilizando produtos químicos específicos para exterminar carrapatos. No entanto, se o parasita já estiver grudado na pele, o ideal é não esmagá-lo com as unhas, pois é possível que tudo o que está dentro dele penetre nos pequenos traumas formados na pele da pessoa. “Para tirá-lo, as pessoas devem pinçá-lo levemente com as unhas e girar o pulso para que possa desvencilhar o aparelho sugador do carrapato que fica preso à pele”, explica.
Bastazini afirma que não há motivos para desespero caso alguém seja picado, mas alerta para que a pessoa se recorde daquele fato para reportá-lo a um médico no caso de, futuramente, apresentar sintomas da febre maculosa. Ele ainda sugere que se evite coçar a lesão com as unhas ou com qualquer tipo de objeto e que um especialista seja consultado para indicar um tratamento para a irritação.
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Sintomas da Febre
Registrada pela primeira vez em 1899 na região montanhosa do noroeste dos Estados Unidos, essa doença ficou conhecida no Brasil a partir de 1929, recebendo o nome de febre exantemática paulista. A partir do momento em que o carrapato-estrela ou rodoleiro portador da bactéria Rickettsia rickettsii pica o homem, o período de incubação leva de dois a 14 dias.
De acordo com a professora de parasitologia da Universidade do Sagrado Coração (USC) Silvana Torossian Coradi, os sintomas iniciais são febres, dores de cabeça e confusão mental. “A partir do terceiro ou quarto dia, surgem manchas vermelhas nos punhos, tornozelos, palmas das mãos e solas dos pés”, explica.
Dentro de duas a três semanas, a febre maculosa evolui gravemente, podendo causar a morte em 80% dos casos não tratados precocemente. O tratamento deve ser feito por meio de antibióticos, desde que recomendado por um médico.