08 de julho de 2026
Regional

Comércio é quente na região da ‘Boca da Onça’

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Pirajuí – “Não troco ela (Pirajuí) por outra. Tudo o que tive na vida consegui aqui dentro”, relata o borracheiro Benedito Capelim, 59 anos. Ele atua na profissão há 40 anos em Pirajuí e montou sua loja há seis anos na rua Barão do Rio Branco, na “Boca da Onça”. Antes de se aposentar, trabalhava em um posto de combustíveis de propriedade de Bento Carneiro, filho de José Cândido Carneiro (Zeca da Amélia), ex-prefeito do município de Pongaí.

O comércio efervescente da “Boca” fez o borraceiro se animar com o negócio e investir na diversificação para atrair novos negócios. Agora oferece conserto e se o pneu não tiver mais jeito, o cliente sai com um novo. O borraceiro conta que se mudou para Pirajuí em 1958, onde se sente acolhido. Ele relata que no dia do padroeiro da cidade, São Sebastião, em 1999, aproveitou para visitar Bauru, onde comprou os compressores para montar sua loja. Capelim homenageou o padroeiro da cidade batizando seu comércio como “Borracharia São Sebastião”.

“Boca da Onça” é o conjunto de ruas e praça que constituem a área em que primeiro se desenvolveu o comércio de Pirajuí. O conjunto arquitetônico denuncia que os prédios são antigos e que houve a preocupação em preservar sua originalidade, pelo menos na fachada. Um dos que apresenta melhor aspecto de originalidade é um edifício de dois andares, no número 229, na Barão do Rio Branco. Em estilo colonial, o imóvel data de 1931. Além de prédios, a “Boca” tem personagens interessantes como o proprietário de um estabelecimento que batizou sua panificadora de “Padaria do Padeiro”. Uma quadra antes fica o “Jardim das Éguas”, local de ponto de charretes e para negociações, como as tradicionais trocas de produtos.

Como Capelim, o engenheiro Sérgio Rubens Rodrigues Lopes, 56 anos, migrou para Pirajuí. Nascido em Borborema, ele é responsável pela unidade do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) na cidade.

Ambos contrariam o fenômeno migratório que diminuiu drasticamente a população de Pirajuí. O município chegou a 65 mil habitantes no auge da produção cafeeira - anos 30 e 40 -, porém nas últimas décadas estagnou em 18 mil habitantes. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou em julho deste ano uma população de 20.894 habitantes na cidade.

Entretanto, o coordenador de Comunicação e Cultura da Prefeitura de Pirajuí, Luís Gustavo Martins Barros, diz que a administração municipal fez levantamento censitário e apurou cerca de 22 mil moradores atualmente. Lopes vê com naturalidade o fato de cidades médias, como Bauru, atraírem população de municípios menores, como Pirajuí.

“Na época áurea do café, Pirajuí era a ‘Princesinha do Café’ e era até mais importante do que Bauru”, situa historicamente Lopes. Conforme o engenheiro, que atua há 31 anos no DER, o desenvolvimento da pecuária, atual segmento forte do agronegócio na cidade, não traz o mesmo impacto que o café. Ele acrescenta que o comércio da região central é bastante dinâmico. “Às vezes, até é difícil estacionar na região central”, explica.

“Jardim dos Turcos”

Outro importante ponto de comércio na cidade se localiza no entorno do “Jardim dos Turcos”, como é chamada a Praça João Augusto Ribeiro, que tem como principal artéria viária a rua Sete de Setembro.

Barros esclarece que a praça é popularmente conhecida como “Jardim dos Turcos” devido à presença da comunidade libanesa, explicação que se justifica na placa de rua denominada “Rachid Curi”.

A praça tem um espelho d’água densamente povoado por peixes. Além de lojas, o local possui trêileres de lanches estacionados de frente para a praça.