10 de julho de 2026
Nacional

Comissão ratificará o ‘mensalão’ em relatório parcial, diz Serraglio

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou ontem que apresentará um novo relatório parcial sobre as investigações da comissão, entre os dias 10 e 15 de dezembro, no qual apontará “as razões” da CPI para “ratificar" a existência do chamado esquema do “mensalão”.

“A CPI vai demonstrar quais as razões pelas quais entende que o (mensalão) está comprovado. Vai ratificar as razões pelas quais entendeu que há o “mensalão’. Já disse que tem (o esquema) e vai confirmar”, disse Serraglio.

Segundo o relator, a idéia não é apresentar novos nomes de supostos beneficiários do esquema nem aprofundar as investigações sobre eles, mas “interpretar o sistema’’. “A idéia é passar qual é a nossa concepção em relação ao ‘mensalão’. Não em relação os parlamentares, não queremos mais discutir saques, mas interpretar o sistema.’”

Inicialmente, a CPI dos Correios tinha sido encarregada de apurar a origem dos recursos que abasteceram o caixa dois do PT. A incumbência de confirmar ou não a existência dos repasses a parlamentares era da CPI do Mensalão, que terminou sem a votação de um relatório final. Após o fiasco da CPI do Mensalão, o relator da comissão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), admitiu o uso de recursos ilícitos para pagamentos de dívidas de campanha, mas não concluiu a existência do “mensalão” nos moldes denunciados por Roberto Jefferson (PTB-RJ), ou seja, o pagamento pelo PT de mesada de R$ 30 mil a deputados do PP e do PL em troca de apoio. “Vamos dizer muito claramente, verificar aquelas liberações tópicas em relação a determinadas votações ou o levantamento do (deputado) Júlio Redecker (PSDB-RS) dos “semanões’, a cada semana R$ 500 mil.

Essa tabulação não apareceu em lugar nenhum”, disse Serraglio. Membro da CPI do Mensalão, Redecker apresentou levantamento feito a partir da quebra de sigilo bancário da empresa Guaranhuns -supostamente utilizada como empresa de fachada no esquema para repassar recursos para o PL-, que mostra repasses da empresa que somavam R$ 500 mil por semana em 2003.

Para Serraglio, é possível atestar a ocorrência do “mensalão” a partir de dados já coletados pela CPI. Além disso, ele afirmou que seu relatório parcial irá pedir o indiciamento de diversas pessoas. Ele não citou os nomes, mas disse que são de pessoas ligadas a contratos com irregularidades.

A idéia de elaborar um novo relatório parcial decorre de duas razões: mostrar que a CPI já tem dados conclusivos sobre a maioria das frentes de apuração e acabar com disputas entre governo e oposição sobre as sub-relatorias.

O novo texto de Serraglio passa por 12 tópicos, elencados pelo relator-adjunto da CPI, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) no final de semana, após o que chamou de “pente-fino” nos papéis coletados pela comissão. Segundo Paes, a intenção é estabelecer um elo entre as diferentes frentes de apuração e “ajustar o foco do que já está muito perto de ser concluído”.

Os principais pontos, segundo Paes, tratam de contratos de publicidade de estatais com as agências de Valério e de possíveis financiadores do esquema que abasteceu o caixa dois do PT.