São Paulo - Metade dos pisos salariais - menor valor estipulado como remuneração para determinada categoria ou empresa - varia de R$ 300,00 a R$ 450,00, segundo estudo divulgado ontem pelo Dieese. Em 86% dos pisos salariais analisados pelo Dieese, o valor corresponde a dois salários mínimos (R$ 600,00) no máximo. Só 4,6% dos pisos superam três mínimos (R$ 900,00).
Para o economista do Dieese, Ilmar Ferreira da Silva, o estudo confirmou a suspeita do movimento sindical. “Os pisos salariais estão muito baixos.” O economista disse que a análise do Dieese mostrou que a negociação do piso está atrelada ao valor do salário mínimo, fixado ontem em R$ 300,00. “O salário mínimo acaba orientando o empresário a definir o valor da remuneração inicial da maior parte das categorias profissionais”, disse Ferreira.
Segundo ele, a elevação dos pisos salariais passa pela discussão da recomposição do poder de compra do salário mínimo. “É importante criar uma política de valorização do salário mínimo para que o patamar salarial de todos os trabalhadores também seja elevado”, afirmou Ferreira.
Para cobrar do governo a elevação do salário mínimo para R$ 400,00, as centrais sindicais saíram ontem em carreata de São Paulo em direção a Brasília. Pela proposta orçamentária para 2006, o mínimo será corrigido para R$ 321,00.
Por segmento econômico, o estudo do Dieese mostrou que os maiores pisos salariais são pagos pelas empresas do setor setor de serviços. No setor de serviços, 32% dos contratos negociados resultaram em pisos superiores a dois salários mínimos, principalmente nos ramos de comunicações e transportes. No comércio, só 12% dos pisos ultrapassaram dois salários mínimos. Essa proporção cai para 3% na indústria.
O estudo mostrou que o piso salarial médio do setor de serviços corresponde a 1,91 salário mínimo. No comércio, a média é de 1,66 salário mínimo. Na indústria, o piso médio recua para 1,47 salário mínimo. O estudo do Dieese analisou 175 informações sobre pisos salariais negociados em acordos e convenções coletivas firmados no primeiro semestre de 2005.
Dos 175 analisados, metade veio de três Estados: Santa Catarina (19%), Rio Grande do Sul (16%) e São Paulo (15%). As outras negociações desenvolveram-se em dez unidades da federação.