Empresários do setor gráfico da região de Bauru reuniram-se na manhã de ontem, no auditório do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), para discutir os problemas e analisar as perspectivas do ramo para os próximos anos. A principal dificuldade apontada pela seccional Bauru da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) é a concorrência de preços com gráficas informais.
“O problema das gráficas que deixam de pagar tributos ou mantêm funcionários na ilegalidade é que o preço final das mercadorias fica mais barato”, afirma o vice-presidente da associação em Bauru, Luiz Edmundo Marques Coube. Com os preços mais baixos, o produto perde a qualidade e gera um ciclo negativo na economia, na avaliação dele.
“O empresário fica sem dinheiro para reinvestimento, sem vislumbrar um futuro melhor para a gráfica. Esse problema está atrapalhando de maneira significativa as gráficas de Bauru e região”, diz o empresário.
Um dos desafios que as empresas do ramo já começaram a enfrentar é o emprego informal, diz Coube. Bauru tem aproximadamente 2 mil profissionais que estão empregados em 90 empresas gráficas. A quantidade de empresas que atuam na informalidade não foi levantada pela Abigraf, mas os impostos e a falta de incentivo dos governos estadual e federal levariam cada vez mais empresários para a informalidade.
“O setor gráfico vive a informalidade através de gráficas pequenas que são geridas apenas por famílias e não entram nas estatísticas”, diz o presidente da Abigraf-SP, Alfried Plöger. Como conseqüência, os empregadores que optam por seguir a lei afirmam que os governos estadual e federal precisam dar mais incentivos ao setor.
Segundo o presidente de uma gráfica de Bauru, José Palmeira Júnior, apesar de existir linhas de crédito para o ramo gráfico, as taxas ainda são altas. Para enfrentar as dificuldades, os empresários precisam se profissionalizar. “Os empresários precisam investir mais na profissionalização, sendo mais competitivos. Uma das maneiras é participar de grupos gráficos que discutem o tema”, opina.
As perspectivas sobre o Produto Interno Bruto (PIB) gráfico para 2006 são de manter os patamares dos últimos anos. A relação entre o PIB nacional e o PIB gráfico é proporcional, segundo explica o presidente da Abigraf. “Creio que o PIB nacional vai ficar em torno de 3%, e o PIB gráfico deve girar em torno de 5% a 7%”, afirma Plöger.
A Abigraf representa um universo de aproximadamente 5,5 mil empresas instaladas no Estado e que empregam mais de 90 mil trabalhadores. No setor gráfico, existem cerca de 15 mil empresas em todo País, que empregam cerca de 200 mil pessoas.
Eleições
“A eleição não gera mais lucro para a impressão gráfica como antigamente”, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica. O empresário afirma que os tradicionais ‘santinhos’ são cada vez menos usados pelos políticos. “Em níveis nacional e estadual, não existem mais tantos santinhos porque as verbas estão escassas.” Segundo Plöger, as gráficas se beneficiam mais nas eleições regionais, de prefeitos e vereadores.