Se você atender um telefonema a cobrar dizendo que o seu número de telefone foi sorteado para participar da “Parada Promocional”, desligue imediatamente. É golpe, apurou o delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru. As ligações estariam partindo de aparelhos celulares do interior de presídios, segundo o delegado.
Prometendo prêmios, na verdade o golpista tenta convencer quem atende o telefone a comprar cartões e passar os respectivos códigos para carregar seus aparelhos celulares. Um bauruense, que preferiu não se identificar, gravou toda a conversa que manteve com uma pessoa que ligou a cobrar e entregou a fita à DIG. Com isso, ele espera ajudar a polícia a encontrar o autor da ligação, que pode ser indiciado por estelionato.
A voz que aparece na gravação é de um homem nordestino ou nortista que fala rápido, com erros de dicção. O interlocutor repetiu várias vezes palavras como parabéns e muito obrigado, para tentar imitar os atendentes da empresa de telefonia.
Quando o bauruense atendeu a ligação, o homem que estava do outro lado da linha pediu para que não desligasse, logo explicando o porquê. “Papel e caneta na mão, meus parabéns. Estou entrando em contato com o senhor porque o número de seu aparelho foi sorteado e contemplado. Se o senhor utiliza o nosso DDD, melhor ainda”, disse.
O homem pediu, então, que o bauruense anotasse o nome dele, o número de uma suposta central e logo em seguida listou os prêmios para o dono da linha. “Anote agora suas premiações: três meses de ligações gratuitas no número desse aparelho, além de presenteamentos de todos os nossos parceiros que estão conosco na nossa parada”, disse o golpista.
Em tom de voz convincente, o golpista informou que o dono da linha ainda iria ganhar uma TV 29 polegadas, um DVD, quatro aparelhos celulares, inclusive fornecendo detalhes das empresas e dos modelos, e um notebook. Como o bauruense desconfiou e questionou sobre o grande número de prêmios, o golpista explicou que se tratava de sorteio de apenas 31 usuários num universo de 31 mil linhas.
Em seguida, o golpista pediu para que o bauruense anotasse o nome da equipe de entrega e ainda informou que, se ele quisesse, a equipe de uma emissora de TV filmaria a chegada dos prêmios. Mas para ganhar todos os prêmios e ainda concorrer a um Celta ou um cheque no valor do carro, o golpista dá 31 minutos para quem atendeu o telefone adquirir cinco cartões telefônicos e ainda dois produtos alimentícios.
Provavelmente para tentar convencer quem atendeu o telefone de que realmente se trata de uma promoção de prêmio, o golpista pede que a pessoa não desligue o telefone e diga uma palavra-chave quando chegar em casa com os cartões telefônicos e os alimentos. Com o código dos cartões, o golpista recarrega seus telefones e desliga.
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Tiro saiu pela culatra
O bauruense que recebeu o telefonema não acreditou na história do sorteio de prêmios, gravou a conversa, questionou o interlocutor e não comprou os cartões telefônicos e alimentos pedidos. É dessa maneira que a população deve se comportar, avisa o delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). “Não aceite proposta milagrosas. Pode desligar de imediato. Tantos prêmios de uma só vez é para se duvidar”, alerta Cardia.
A DIG está investigando o caso e orienta a população a não fornecer dados pessoais e documentos por telefone. “Com o número de documentos eles praticam outros tipos de estelionato. Esse golpe pode variar”, frisa Cardia.