09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Apenas mais um problema contábil


| Tempo de leitura: 3 min

“A crítica é como o champanhe;

Nada mais execrável quando é ruim,

Nada mais excelente quando é boa” - C. Colton

Desde 1995, no início do governo FHC, até os dias atuais de Lula, temos observado uma situação que beira o estágio do inconseqüente e deixa a todos aqueles que têm acesso a essas informações indignados e perplexos com tanta falta de sensibilidade por parte de nossos governantes.

O governo federal, por meio do seu Ministério da Justiça, investiu, até o dia 15.10.05, apenas 5,5% dos R$ 413 milhões previstos no Orçamento da União com o Fundo Nacional de Segurança Pública, que se destina a repassar recursos para os Estados desenvolverem projetos de combate à criminalidade. Com relação ao Plano Nacional de Segurança Pública, que integra o mesmo fundo, o governo Lula gastou 28,7% do total aprovado de 1,5 bilhão previsto.

Os dados estão à disposição da população e foram divulgados pelo Congresso Nacional em seu recente relatório sobre a execução orçamentária pela União.

Depois de aprovado o orçamento de R$ 413 milhões a equipe econômica comandada pelo indefectível Palocci cortou 59%, reduzindo o valor inicial para R$ 170 milhões. Os Estados brasileiros receberam 28,8 milhões de um total de R$ 272 milhões destinados a construção de presídios.

O pior é que essa prática perdura há 11 anos, oito anos com FHC e três com Lula. E é extensiva a todas as pastas e ministérios do país. Ou seja, define-se o orçamento da união, os deputados fazem milhares de emendas para poderem beneficiar seus Estados, depois de muita discussão e meses de muitos cortes e desacertos a peça orçamentária é aprovada e enviada ao governo. O governo então corta o que bem lhe convier e deixa a todos sem a execução das centenas de projetos de interesse direto da população. São cortes na educação, segurança pública, habitação, infra-estrutura, saneamento básico, compra de medicamentos, agricultura, e por aí vai até onde nosso pensamento puder imaginar. A única verba que eles não cortam é a de propaganda, isso para os governantes é sagrado, não se mexe em um único centavo.

Enquanto nosso povo sofre com a falta de água potável, saneamento básico, habitação popular, segurança pública e tantos outros problemas graves, nossos representantes no governo viajam com nosso dinheiro e cortam do orçamento aquilo que seria essencial a vida do povo brasileiro ano após ano.

Os valores “economizados” são remanejados contabilmente e fazem a alegria do FMI, que depois elabora relatórios tecendo fartos elogios ao governo “bonzinho” do Brasil. Assim como acontece com o famosos superávit comercial anunciado sempre com pompa e circunstância pela nossa mídia televisiva e que na realidade não demonstra claramente um significativo aumento das nossas exportações em relação as nossas importações (Superávit) mensalmente.

O que na verdade ocorre é que apesar de exportarmos muito abaixo de nosso verdadeiro potencial, contamos com o fato simples de que importamos pouco em razão da pouca liquidez existente entre nossos industriais e empresários de diversos segmentos da nossa economia. Investimos quase nada em tecnologia e adquirimos menos ainda, tornando nosso parque industrial menos competitivo a cada ano. Nossa agricultura ainda é rudimentar se comparada a de países desenvolvidos, pois sem linhas de crédito acessíveis nossos agricultores perdem o estímulo e deixam de modernizar suas propriedades.

É um círculo vicioso que maltrata nossa gente, nos faz perder o foco no futuro e permite que nossa economia naufrague muito antes de atravessarmos o oceano atlântico rumo aos países do primeiro mundo.

Inverter essa ordem é prioridade mas para isso é preciso deixar a submissão ao FMI nas gavetas do Palácio do Planalto, o que me parece impossível entre os nossos homens públicos depois de eleitos para a Presidência do Brasil, eles apenas falam grosso enquanto estão na oposição, como no caso atual de Lula, ou quando estão em campanha eleitoral, caso dos tucanos atualmente e dos demais partidos que postulam concorrer à presidência em 2006 com candidato próprio.

Rafael Moia Filho