Rio de Janeiro - Um dia depois da divulgação da queda de 1,2% no PIB do terceiro trimestre, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou que a crise política afetou a atividade econômica. Palocci também disse que uma política monetária rígida tem custos para a economia, mas negou que haja um erro na dose em que essa política vem sendo implementada no País. “Se nós avaliarmos a evolução da expectativa de empresários e consumidores, vamos ver que foi fortemente abalada desde o início da crise política (...) De fato houve um impacto da crise sobre decisões de investimento e decisões de consumo”, afirmou Palocci em discurso para cerca de 400 empresários presentes a um almoço em sua homenagem na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
O ministro disse, porém, que esses indicadores já estão se recuperando, porque os agentes econômicos “observaram que a crise não foi suficiente para desestruturar o equilíbrio da economia”. Palocci afirmou que o governo tomou uma decisão quando optou por controlar a inflação por meio de uma política monetária restritiva, mas lembrou que nenhum País conseguiu a estabilidade sem custos. “Não, não há erro de dose. Nós admitimos esse debate, é um debate legítimo. Combater a inflação tem custos, ajustar do ponto de vista fiscal o país tem custos”, afirmou. Ele lembrou ainda que a política monetária vem sendo flexibilizada há dois meses. Inadmissível, diz Palocci, é abrir mão do controle inflacionário como justificativa de que a economia cresceria mais. “Política monetária errada é aceitar a inflação de volta. E o País não aceita.”
Questionado por jornalistas se a afirmação teria sido uma resposta às críticas recentes a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Palocci negou. “Tenho pela ministra Dilma o mais alto respeito, o mais alto companheirismo (...) O fato de termos tido há uma semana uma opinião divergente sobre uma questão de política de longo prazo não faz com que tenha um debate permanente de divergência com a ministra. Eu me referi àqueles que acham que não há problema em termos de inflação.” Apesar de ter dito que a crise política não abalou as estruturas econômicas, Palocci afirmou que o processo não pode se estender por mais muito tempo.
As instituições devem, segundo ele, apurar com eficiência e concluir seus trabalhos. “Uma crise prolongada, sem caminho, significa demonstrar fraqueza e não força das instituições.” O ministro evitou comentar a cassação do deputado José Dirceu (PT-SP). Questionado por jornalistas, Palocci falou de modo genérico sobre o tema e criticou o uso político-eleitoral da crise. “Não colocaria a questão específica do deputado José Dirceu, meu companheiro José Dirceu.
O problema da crise política é que todos têm a expectativa de que as instituições funcionem (...), mas que elas possam significar um processo com começo, meio e fim (...) É um esforço que todos têm que fazer. Todos nós erramos. Não estou criticando a oposição. Quando se estabelece uma crise política, todos os lados cometem exageros, erros, deixam resvalar os processos para crises de caráter eleitoral e isso prejudica o País.”