08 de julho de 2026
Nacional

Lula admite crescimento modesto

Folhapress
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São Paulo - Dizendo-se “chateado” com a retração de 1,2% do PIB no terceiro trimestre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva substituiu ontem o repetido “espetáculo do crescimento” pelo desempenho econômico compatível com o “tamanho das pernas” do Brasil.

Ao discursar a investidores estrangeiros em São Paulo, Lula pediu que os empresários não se preocupassem com a retração do PIB. Acenou com crescimento sólido em 2006 e, “se Deus quiser”, nos anos seguintes. Ainda abalado com a má notícia, Lula alegou que “em economia não existe mágica, em economia existe seriedade, existe transparência, existem passos a serem dados, do tamanho da nossa perna”.

E rechaçou comparações: “Não adianta ficar olhando para a China, não adianta ficar olhando para os EUA, não adianta ficar olhando para alguém que cresceu mais ou menos do que nós. Não adianta. Nós temos que olhar para nós, para a nossa indústria, para a nossa cultura, para a nossa política, para as nossas possibilidades, e aí sim, juntos, nós poderemos encontrar o momento certo de tomar as medidas certas para que o Brasil passe para o rol dos países ricos.”

Na China, a estimativa de crescimento do PIB é de 9% nos quatro últimos trimestres em comparação aos quatro anteriores. Nos EUA, o índice anualizado de alta do PIB é de 4,3%. Estimativas para o PIB de 2005 no Brasil estão hoje em torno de 2,5%. Em 31 de agosto, o próprio Lula havia dito que a economia poderia crescer até 5% neste ano.

Num improviso - feito após um discurso em que listou números positivos de seu governo - Lula reafirmou que a eleição não contaminará a política econômica.

Lula ressaltou ainda que é a primeira vez, “em décadas”, que as empresas estariam lucrando mais que os bancos. Segundo ele, é a primeira vez em 20 anos que 85% dos acordos salariais estão acima da inflação.