09 de julho de 2026
Articulistas

A vida após o ‘caixa 2’


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A história mostra que a corrupção é irmã gêmea da sonegação, e ambas são filhas do casamento do mau-caráter com a burocracia. Isso quer dizer que, se estivéssemos sob um regime fundamentalista islâmico, a maioria de nossos políticos e empresários se cumprimentaria com um singelo “Olá!”, impossibilitados que estariam de apertar as mãos... E há quem diga que isso é uma “tradição” brasileira...

Mas, no caso específico da sonegação, há os que a praticam “por esporte”, com apoio especializado; enquanto outros o fazem como recurso extremo para sobreviver, ou subsistir, num mercado assolado por uma carga tributária escorchante e uma burocracia labiríntica. Não é à toa que o universo político-empresarial é recheado de “facilitadores”, “despachantes” e “lobistas”.

“Mas os países desenvolvidos também têm tributações elevadas!”. Sim, mas devolvem os impostos sob forma de serviços públicos de qualidade e de apoio operacional e logístico aos empresários. “O “Caixa 2” e a corrupção também existem entre os grandes!”. Mas o que dizer quando o “Caixa 2”, privado privado, financia o “Caixa 2” de partidos políticos? Ou quando qualquer “Caixa 2” compra o apoio de um parlamentar, uma licitação pública ou uma sentença judicial? O indivíduo que aceita isso terá isenção para legislar, governar ou julgar? Aí, quando estoura um escândalo, e o descrédito na classe política atinge níveis estratosféricos, sempre volta o mesmo discurso: â€œÉ preciso reformar!”. A reforma política e o financiamento público de campanhas resolveriam isso? Eliminariam o “Caixa 2” de partidos políticos e empresas privadas? Talvez sim, talvez não...

A nova “Lei de Falências” deu um alento para a tentativa de recuperação de empresas, enquanto a MP 255 acena com algumas vantagens para os pequenos empresários. Mas é preciso muito mais que isso! Uma substancial redução da carga tributária não seria compensada por um aumento significativo da arrecadação? O mesmo não valeria para a flexibilização do crédito e a diminuição da taxa de juros? Isso é bem viável, pois os governantes sabem que a maioria do povo brasileiro é honesta, e que grande parte dos que vivem na informalidade ou ilegalidade fiscal o fazem, circunstancialmente, para sobreviver na “Lei da Selva” da tributação, oficial; da corrupção, oficiosa; da disputa pelo poder, odiosa; e da falta de sensibilidade dos que exercem os três poderes! Realmente, precisamos de reformas: A primeira delas, com certeza, de consciência. É certo que, infelizmente, não há inocência, nem no mercado, nem na política; pois que haja, ao menos, um mínimo de honestidade, probidade e respeito à sociedade! Que essa seja a nova tradição! (O autor, Adilson Luiz Gonçalves, é escritor, engenheiro e cronista)