A recente prisão de um grupo acusado de estar planejando praticar um roubo ou seqüestro em Bauru trouxe à tona uma preocupação comum a empresários das metrópoles: o seqüestro. Segundo o trabalho da inteligência da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, o Interior do Estado de São Paulo é alvo dos marginais porque a população não está preparada para este tipo de crime, o que a torna mais vulnerável. Identificados pela polícia como alvos, empresários de Bauru já foram alertados.
O alvo dos seqüestradores são empresários e profissionais liberais bem sucedidos financeiramente e celebridades, grupo que inclui artistas, executivos e jogadores de futebol. O empresário interiorano de meia idade é o alvo principal das quadrilhas. Em Bauru, o grupo preso já haviam escolhido seis, todos do sexo masculino. Porém, o seqüestro foi frustrado com a prisão do bando quando eles estavam observando a casa de uma das vítimas em potenciais.
O delegado José Jorge Cardia, titular da DIG, conta com satisfação que há quatro anos não há registro de seqüestros em Bauru e região. Na área da Delegacia Seccional de Bauru ocorreram quatro crimes desse tipo, há quatro anos. “Dois foram em Bauru, um em Lençóis Paulista e um em Itapuí. Em todos eles o resultado foi um só: vítima resgatada sem o pagamento do resgate e a prisão dos acusadosâ€, relembra.
Cardia garante que a polícia está preparada com equipamentos e pessoal especializado para combater este tipo de crime. “Atualmente, os equipamentos de investigação são sofisticados e auxiliam muito o pessoal do anti-seqüestroâ€, frisa.
Os marginais que atuam no Interior contam duas armas: a observação das vítimas, o que inclui sua casa, e informações que eles obtém até com funcionários domésticos de quem será sequestrado. “Eles conseguem informações básicas sobre a vítima, como nome, endereço, carro, telefone, gostos, costumes, rotina, etc, com os próprios funcionários da vítimaâ€, frisa Cardia.
Esses dados são usados no planejamento do seqüestro. “A etapa posterior, ainda nessa fase, é tentar uma aproximação com a vítima e conquistar sua confiançaâ€, relata o delegado. Ao mesmo tempo que tentam se aproximar da vítima, uma outra equipe passa a observá-la, tentando descobrir outros hábitos e maneiras que possam atraí-la para a armadilha.
O delegado frisa que em muitos dos seqüestros a participação de pessoas próximas da vítima, especialmente funcionários, tem sido de suma importância para os marginais. “Temos notado que as principais informações passadas aos marginais partem de pessoas próximas à vítima. Por isso é importante saber a fundo quem são as pessoas que trabalham para vocêâ€, alerta.
Outro cuidado, orienta Cardia, é quanto às informações fornecidas por empregados domésticos, por telefone. “Os patrões devem orientar seu funcionários para que não digam quantas pessoas há na casa, se tem alguém viajando ou coisa parecidaâ€, completa.
Dica: manter sigilo
Assuntos sobre negócios e questões financeiras, assim como a existência de cofre na casa, nunca devem ser tratados na frente de empregados. “Se eles estiverem mal intencionados, vão ouvir. Mesmo que não estejam interessados naquele momento, essas informações poderão ser usadas posteriormente. Por isso é bom não conversar na frente delesâ€, orienta o delegado José Jorge Cardia.
A habitualidade deve ser evitada, orienta o delegado. “A pessoa bem sucedida deve evitar qualquer tipo de rotina. Isso significa que a cada dia ela deve sair de casa em horário diferente e fazer trajetos diversos. No trânsito, nunca se deve aproximar muito o seu carro do veículo da frente para não ser presa fácilâ€, observa. A segurança pessoal é uma alternativa que pode minimizar o perigo, lembra o delegado. “Em Bauru e região, há empresários que necessitam de segurança pessoal, pois correm o risco de serem alvosâ€, alerta.