09 de julho de 2026
Política

Tuga e Câmara: entre ‘tapas e beijos’

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

A recente queda-de-braço entre o prefeito Tuga Angerami (PDT) e alguns vereadores, decorrente do projeto de revisão da planta genérica do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), traz à tona uma questão que afeta os três níveis de governo: como é a relação entre os poderes Executivo e Legislativo, particularmenter neste governo despreocupado com ações políticas na Câmara?

No discurso de posse, em janeiro, Tuga pregou harmonia entre os poderes. Hoje, apesar das rusgas, até mesmo a oposição ressalta que existe o respeito mútuo e que as discussões surgem apenas quando o prefeito quer aprovar seus projetos a todo custo.

Para o mais destacado oposicionista, vereador Marcelo Borges (PSDB), a relação é boa, e, como em toda democracia, tem seus altos e baixos. “Nem tudo o que o prefeito quer nós podemos concordar”, diz, usando como exemplo justamente a revisão do IPTU. “Ele quer fazer uma revisão da planta genérica, embutindo um aumento absurdo do IPTU”, afirma. Borges salienta que o debate é saudável e necessário. Segundo ele, “a unanimidade é burra. É importante cada um ter seu ponto de vista, até porque a cidade ficou dividida nas últimas eleições”, destaca.

Apesar do discurso oposicionista, o vereador tucano faz questão de deixar claro que não é oposição em tudo que diz respeito ao Executivo. “Existem coisas com as quais concordo e outras que não”, frisou. Ele cita como exemplo o projeto que cria o fundo municipal de infra-estrutural, enviado à Câmara pelo prefeito. “Eu acho um assunto importante, assim como o fundo para o tratamento de esgoto”, diz.

Por outro lado, Borges não perde a oportunidade de cobrar as promessas feitas por Tuga durante a campanha. Na sexta-feira, o vereador distribuiu um panfleto onde aponta as diferenças entre o discurso de campanha e as ações à frente do Executivo. “São meus pontos de vista está assinado e, se houver alguma inverdade, que me interpelem”, concluiu.

Já o líder do prefeito na Câmara, Antonio Faria Neto (PDT), coloca como principal empecilho na relação entre Executivo e Legislativo as dificuldades financeiras enfrentadas pelo município. “A nossa intenção era fazer com que os vereadores entendessem essas dificuldades”, disse.

Faria Neto afirmou que pretende continuar atuando, durante seu mandato, na tentativa de convencer os demais vereadores a ajudar Bauru. “Quando o prefeito errar, nós somos os primeiros a corrigir”, observou. O vereador também utilizou o projeto de revisão do IPTU como exemplo. Segundo ele, logo que a Consultoria Jurídica apontou problemas no projeto, o Executivo se apressou em tentar corrigir.

Ele insistiu que os problemas são anteriores à atual administração e que isso não deve motivar problemas no relacionamento entre os poderes. “Nós temos um prefeito honesto, humilde. Em um ano de governo o Tuga foi muito mais vezes à Câmara do que outros prefeitos nos quatro anos de mandato”, afirmou. “Teve prefeito que xingou vereador. O Tuga não interferiu na formação da Mesa Diretora, ao contrário de outros prefeitos. Ele é um democrata por excelência”, concluiu

"Fui à Câmara"

O prefeito Tuga Angerami disse, através de sua assessoria de imprensa, que a relação com os vereadores em 2005 foi “de muito respeito e colaboração”. Ele lembrou que esteve na Câmara diversas vezes neste ano discutindo com os vereadores assuntos de interesse da população e também recebeu os parlamentares no Palácio das Cerejeiras em várias oportunidades. Nos últimos dias, a relação sofreu alguns arranhões com medidas judiciais e declarações de Tuga, mas nada irreversível, ao que parece.

‘Embate é natural’

Para o presidente da Câmara Municipal, Toninho Garmes (PSDB), o embate entre os poderes é natural e “acontece em qualquer parte do mundo”. Garmes destaca que o papel da oposição é importante para o sistema democrático. “Se não há oposição, não há democracia”, afirma. No entanto, o presidente do Legislativo faz questão de ressaltar que deve haver um debate de idéias, pois divergências são naturais.

Segundo ele, os vereadores têm a obrigação de balancear as necessidades da administração, com as possibilidades da população. “O vereador é um defensor da população”, diz.

Apesar de reconhecer que o relacionamento do prefeito com os vereadores é bom, Garmes adota um discurso de oposição ao comentar as declarações de Angerami quanto ao projeto de revisão da planta genérica do IPTU. “O prefeito não pode simplesmente jogar a responsabilidade para a Câmara. Nós sentimos a angústia do prefeito em querer aprovar o projeto, mas os vereadores devem manter o equilíbrio”, disse.