10 de julho de 2026
Regional

Norte-americanos ajudaram no desenvolvimento


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Botucatu – Como em muitos municípios brasileiros, Botucatu tem forte influência da chegada de imigrantes que trabalharam na lavoura do café ou mesmo se estabeleceram como agricultores. O pesquisador de história de Botucatu, João Carlos Figueiroa, 61 anos, diretor do Centro Cultural de Botucatu, conta que um dos núcleos de estrangeiros chegou ao município fugindo da Guerra Civil Americana (Guerra de Secessão), travada entre 1861 e 1865.

Segundo Figueiroa, entre os imigrantes norte-americanos que desembarcaram em Botucatu está o major Robert Meriwether, que teve importante participação na guerra norte-americana e liderou a imigração para o Brasil. O pesquisador encontrou no livro Pioneiros Americanos no Brasil cartas escritas por Meriwether. Nos relatos datados de 1866, o major narra que vindo de Lençóis Paulista para Botucatu nunca havia visto uma região fria e com invernadas excepcionais para o plantio. Os imigrantes norte-americanos se estabeleceram em Botucatu em várias fazendas, com cultivo de melancia, algodão e criação de perus. “Eles introduziram o peru no Brasil”, acrescenta. A principal colaboração dos estrangeiros foi a introdução do arado de ferro em substituição ao arado de madeira nas lavouras paulistas. Para amenizar as viagens em estradas de terra, eles também inovaram utilizando suspensão com feixes de molas nas carroças – chamados de trólei.

Entre os imigrantes norte-americanos que chamam a atenção, destaque para Henry O. Burton, que segundo Figueiroa, se sabe pouca coisa. Burton residiu em um hotel até o fim da vida. “Uma coisa que a gente nunca conseguiu descobrir era o movivo dele ser apelidado de Marcun Bode”, conta.

Mistério do cemitério

Figueiroa explica que os norte-americanos que ajudaram na colonização de Botucatu eram Batistas. Ele comenta que no bairro da Boa Vista havia um cemitério evangélico que foi desativado. Foi dado um prazo para a transferência dos restos dos sepultados no local. Segundo Figueiroa, foram enterrados numa vala comum os restos mortais de que não foram transladados. Essa vala data de 1906, mas não se sabe sua localização na cidade.

Figueiroa explica que já consultou a Igreja Presbiteriana na busca do livro de lançamento dos sepultados. Segundo ele, a dificuldade é que o acervo da igreja foi concentrado em um centro na Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Fui uma vez mas era época da inauguração e estava tudo encaixotado. Existia na Igreja Presbiteriana uma escola de educação básica ligada ao Mackenzie College, em Campinas e Botucatu”, explica. O pesquisador acrescenta que o Mackenzie manteve a gestão da escola de 1895 até 1913.

O cemintério Portal das Cruzes abriga três túmulos dos imigrantes que são atração turística da cidade pelo interesse histórico. Entre as sepulturas, destaque para a família Meriwether, com três gerações sepultadas. Em um jazigo está Lee Milton, nascido em junho de 1895 e morto em novembro do mesmo ano. Ele era filho de Daniel Meriwether e neto de Robert Meriwether. Em outro túmulo foi enterrado o major Robert, que nasceu em 5 de abril de 1815, na cidade de Edgfield, no Estado norte-americano da Carolina do Sul, e faleceu em 19 de abril de 1908, em Botucatu. Ao lado de Robert está o filho William Henry Meriwether, também nascido em Edgfield, em 31 de dezembro de 1845 e morto em 19 de setembrto de 1908.