08 de julho de 2026
Cultura

Um passeio de trem

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

Que tal uma viagem de trem por todo o País? É exatamente isso que sugere o livro “As Ferrovias do Brasil”, lançado nesta semana pela editora Solaris. Repleto de fotos, a obra é um verdadeiro resgate de uma história um tanto esquecida pelos governantes.

Uma leitura prazerosa que reúne, pela primeira vez, um material de grande relevância histórica e que pode ser lido por crianças e adultos. Na obra, histórias de cerca de 40 ferrovias são contadas em 250 páginas em um projeto ambicioso e profundo, que demandou três anos para ser concretizado. “O mais trabalhoso no livro foi conseguir as fotos. São acervos raros, a maioria em mãos de colecionadores dispersos por todo o Brasil”, relata um dos autores da obra, o chileno Carlos Cornejo, que assina o livro juntamente com João Emilio Gerodetti.

São mais de 500 imagens que registram com beleza e qualidade as principais linhas férreas que cortaram o nosso extenso território e povoaram regiões inóspitas, promovendo o desenvolvimento e semeando sentimentos em cada lugar por onde passavam. “A ferrovia penetrou em locais nunca antes visitados e, com ela, vieram imigrantes e colonos, indústrias e comércio”, conta o autor

Além de fotos e informações, a obra se completa com citações de pessoas que tiveram a oportunidade de viver os anos dourados da ferrovia. “Trazemos falas e artigos de jornais da época que contextualizam o leitor sobre os encantamentos e a importância dos trens”, informa Cornejo.

Há 20 anos no Brasil, o autor nutre uma verdadeira paixão pelos trilhos. “Foi pelo trem que eu cheguei ao País e uma das primeiras cidades que conheci foi Bauru. Uma viagem maravilhosa, em que conhecíamos pessoas dos mais variados lugares e de todas as classes sociais”, relembra Cornejo. Responsável pelo escoamento do café, os trilhos foram ganhando terras à medida em que a produção cafeeira aumentava, e perdeu seus maiores patrocínios com a crise econômica que afetou os coronéis em meados de 1930.

“Com o declínio do café, os investimentos para o setor reduziram e o governo não teve outra alternativa senão encampar a ferrovia. O único problema é que não foi dado o cuidado merecido e chegamos ao estado deprimente em que estamos hoje”, lamenta o autor, que ainda sonha com o resgate dos trilhos. “Em alguns lugares, por incrível que pareça, existem trens de passageiro como antigamente, usados pelas pessoas da região como meio de transporte. Para o escoamento de grandes cargas não existe melhor meio”, aponta.

O livro é o quinto da série “Lembranças”, produzida por Carlos Cornejo e João Emilio Gerodetti. Os autores já narraram histórias sobre a Capital do Estado, o litoral, o Interior e as capitais do Brasil. A obra, que recebe o apoio da Companhia Vale do Rio Doce, pode ser adquirida pelo site www.solariseditora.com.br.