07 de julho de 2026
Mulher

Radar da moda

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

O encontro entre feminilidade e elegância promete chegar às últimas conseqüências na moda outono/inverno 2006. Blusas e saias com inspiração vitoriana, taillers e terninhos estruturados, calças ajustadas, jaquetas em estilo militar, salto alto e acessórios em ouro compõem uma coleção diversificada e marcam presença na próxima coleção.

É o que anunciam Luciana Parisi, pesquisadora internacional de tendências, e Beth Sales, destaque na área de sapatos, cintos e bolsas. Elas ministraram uma palestra sobre o tema no último dia 24, na Cervejaria dos Monges, durante o 2.º Senac Fashion Day.

A exemplo da primeira edição, realizada em abril, o evento apontou as principais novidades em tecidos, cores e padronagens para temporada outono/inverno: vitoriano, folk, militar, londonmania e atelier. Com exceção do último, todos os estilos são uma espécie de evolução da moda primavera/verão deste ano, boa notícia para o mercado e também para os consumidores, que podem aproveitar algumas peças desta coleção.

Entre elas, a saia de inspiração cigana, as blusinhas românticas e os casaquetos. Isso sem esquecer do jeans – que dispensa comentários, destaca Parisi. “Uma coisa importante do inverno é que ele faz uma evolução do que se vem trabalhando no verão”, diz.

Conto de fadas

Com inspiração vitoriana, as batas, em especial as de corte império (com recorte no busto modelagem mais solta), dão lugar às batas e blusas mais estruturadas, carregadas de rendas e detalhes delicados, diz a pesquisadora. “Tecidos requintados, como tafetá, seda, cetim, além de brocados e transparências dão um clima de rainhas e princesas”, diz.

Além dos tecidos já citados, algodão, viscrolycra, voal e musseline são hit da estação e ganham ainda mais romantismo com padronagens florais e mini-flores, ressalta Parisi. “Principalmente para as blusinhas vitorianas, que são marcadas por nervuras, passa-fitas e muitos detalhes delicados, como rendinha e franzidos. As saias e os vestidos ganham fartura de tecido. O voal pode ser bordado na cor do tecido ou maquinetado, com trabalhos de nervuras e minipregas, que é forte tendência e continua no inverno”, detalha a pesquisadora.

Folk urbano

Inspirada na cultura dos países do Leste Europeu, como Rússia e Hungria, além de Bolívia, Peru e alguns povos nômades e ciganos, a moda folk chega revisitada aos centros urbanos e está em alta na próxima coleção, diz Parisi. Nessa corrente, destacam-se coletes e jaquetas feitos em pele e couro de diversos tratamentos: leve, lavado, amassado ou metalizado, aponta a pesquisadora.

Guarda-roupa básico

Dialogando com a moda vitoriana e folk, a corrente militar traz peças básicas e ideais para o dia-a-dia, ressalta Parisi. Entre elas, a calça níquer. Evolução da bermuda francesinha, ela também se inspira nas roupas de montaria. É um pouco mais comprida (abaixo dos joelhos), com modelagem ajustada e abotoamento lateral, explica a pesquisadora.

Outro destaque é a jaqueta militar, caracterizada por abotoamento duplo e confeccionada em sarja (com ou sem elastano), brim e veludo, tecido que promete ser uma das vedetes da próxima estação. “O veludo chega nas versões cotelê, nas versões cristal, molhado, amassado, devorê e estampado, que pode ser tanto quanto liso ou estampado, principalmente com a entrada de moda jovem e infantil”, detalha.

Outro destaque é o moletom, que ganhou ares diferenciados e está invadindo o mundo dos tecidos, e o plush, para a linha esportiva.

Caldeirão de estilos

A excentricidade e o ar despojado dos jovens ingleses marcam a londonmania, tendência dedicada principalmente ao público juvenil. “ Tudo que é ligado à história britânica dos anos 60, rock’n’roll, pop music, art pop, suingue london, boutique biba e uma série de fontes de inspiração na cidade de Londres dos anos 60 caraterizam esse tema”, detalha Parisi.

Nessa linha, o hit fica por conta do estilo vintage e retrô, além do psicodélico, reforçado por listras gráficas ou mini geométricas. Há espaço ainda para calças e saias confeccionadas em xadrez de inspiração country, escocês e inglês.

Brilhos e detalhes, em especial o ouro velho, incrementam peças e também calçados, bolsas e acessórios que seguem a tendência.

Cintura marcada

Priorizando o ar clássico e elegante, o tema atelier é sinônimo de um novo caminho para a moda outono/inverno. Inspirado nas roupas dos anos 40 e 50, a coleção traz taillers e terninhos revisitados e ideais para os centros urbanos, aponta Parisi. Focada na mulher mais adulta, busca resgatar a sensualidade por meio de formas estruturais, destaca ela. “É uma moda minimalista, discreta e muito carregada de sensualidade sem cair no vulgar”, diz. Tendo como um das musas Gracy Kelly e Angelina Jolie, a coleção aposta em peças com cintura marcada e um pouco mais alta. “Silhueta perfeita, andar elegante, combinação de sapatos e bolsas garantem um visual elegante e sensual”, observa Parisi.