08 de julho de 2026
Saúde

Cuidado com o SOL

Agência Saúde
| Tempo de leitura: 4 min

O verão ainda não chegou, mas o sol forte e o calor do fim da primavera são um convite para que as pessoas invadam as praias, cachoeiras, clubes e parques no Brasil inteiro, em busca de esportes, turismo e lazer. Particularmente nessa época, é preciso bastante cuidado, principalmente com as crianças, pois os efeitos da exposição aos raios solares podem ser bastante perigosos e causar problemas à saúde, como o envelhecimento precoce e o câncer de pele.

Esse tipo de câncer se caracteriza pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Essas células se dispõem formando camadas. Dependendo da camada afetada, há diferentes tipos de câncer. Os principais são os carcinomas basocelulares, os espinocelulares e os melanomas.

Dos vários cânceres, o de pele é o de maior incidência. Entre os três tipos comuns, o melanoma é o mais perigoso, embora represente apenas 5% dos casos. Isso porque tem maior probabilidade de ocasionar uma metástase, ou seja, de se espalhar por outras partes do corpo. “Mesmo com todo o seu poder, se o melanoma é descoberto no início, há grandes chances de cura”, avalia Carlos Eduardo Alves dos Santos, chefe da Dermatologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Ultravioleta

O instituto recebe de 30 a 40 pessoas por semana com suspeitas de câncer de pele. Existem algumas causas químicas e físicas que originam esses tumores, porém o maior vilão para o surgimento da doença é o sol. A radiação ultravioleta é a principal responsável pelo desenvolvimento dos tumores, principalmente os raios ultravioleta B, com maior incidência entre as 10h e as 16h. Os raios ultravioleta A também causam o câncer de pele e são responsáveis ainda pelo envelhecimento precoce.

Os dermatologistas alertam que pessoas com pele e olhos claros, normalmente com cabelos ruivos ou loiros, são as mais vulneráveis aos efeitos do sol. Elas precisam ter cuidado redobrado. “Até há pouco tempo, difundia-se uma cultura de que era importante ficar com a pele ‘queimada’”, lembra Carlos Eduardo. “Só que o bronzeamento é uma agressão à pele. É justamente uma reação do corpo ao excesso de sol, em um processo prejudicial à saúde”, assinala.

No verão, muitas vezes as pessoas acabam ignorando as recomendações e cometendo excessos. O pior horário para ir à praia, clubes e outros locais de lazer abertos está entre as 10h e 16h, quando o sol emite teor mais alto de radiação.

Com as crianças, é preciso aumentar os cuidados. Sol para menores de seis meses nem pensar. Os pequeninos precisam estar sempre protegidos do sol, no carrinho ou com uma sombrinha. Para os demais, roupas apropriadas, filtro solar, óculos escuros e guarda-sol. Esses acessórios ajudam a minimizar os efeitos da radiação.

Prevenção

A melhor forma de prevenir o câncer de pele é evitar a exposição excessiva ao sol. Carlos Eduardo Alves recomenda como ideal três sessões semanais de quinze minutos cada, dose suficiente para desencadear a produção de vitamina D no organismo.

A vitamina D serve pra absorver o cálcio. Esse elemento atua nos nervos, nos músculos e, principalmente, nos ossos. A falta de cálcio deixa os ossos fracos. “O sol que você pega, saindo na rua para fazer suas atividades cotidianas, é o bastante para esse estímulo”, considera. “Existem pessoas com 18 anos que tomaram 80% do sol que poderiam ter pegado a vida inteira”, assinala. “A radiação solar possui efeito cumulativo. Ela pode levar até 20 anos para causar efeitos no organismo como o câncer de pele”, revela o médico.

O auto-exame também é essencial para a prevenção. A pessoa precisa estar atenta a pintas de um modo geral, principalmente aquelas assimétricas, de diâmetro maior que 0,6 cm, de bordas irregulares e de coloração variável (castanha, rosada ou negra). “Deve-se suspeitar de lesões que crescem rápido e com sangramento e prestar atenção em partes do corpo como a nuca, os pés e entre os dedos”, alerta Carlos Eduardo.

Ao identificar sinais de câncer de pele, é preciso procurar as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Os dermatologistas estão aptos para confirmar o diagnóstico e encaminhar o paciente aos Centros de Atendimento do Câncer (Cacon) ou ao Inca, no Rio de Janeiro. O tratamento para a doença é basicamente cirúrgico, com técnicas como a eletrocirurgia ou a criocirurgia (através do nitrogênio frio).