Embora os sucessivos governos de Bauru “aparentemente não tenham se dado contaâ€, toda obra de infra-estrutura impulsiona o desenvolvimento da região onde está instalada. O “progresso†é conseqüência natural, por exemplo, do incremento no fluxo de pessoas circulando no trecho contemplado, esclarece o arquiteto e urbanista Cláudio Berriel Ricci.
“Com esse tipo de investimento, a cidade vai se transformando. A indústria acaba vindo. Apesar dos esforços da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan), a cidade está muito parada. Talvez seja por falta de dinheiro mesmo, mas precisamos de ações mais efetivasâ€, afirma. O urbanista utiliza a duplicação da avenida Getúlio Vargas para exemplificar suas palavras.
“O comércio migrou. Será que num outro bairro isso teria acontecido?â€, questiona. Ricci acredita que, se o poder público não se atentar para bairros periféricos, pode inclusive provocar segregação na cidade. Concorda com ele o aposentado Gilberto Murça. Para visitar os filhos, quase todos os dias ele atravessa o rio Bauru pela ponte metálica instalada em substituição à Ayrton Senna.
“Se fosse área nobre, seria outra coisa. Aqui só tem pé de bucha. O ano que vem (ano de eleição) todo mundo termina essa ponte. Depois o povo esquece, não tem memóriaâ€, conclui. A ponte Ayrton Senna foi inaugurada em setembro de 2000, às vésperas da eleição que o reelegeu Nilson Costa prefeito de Bauru. Saíram dos cofres públicos R$ 217. 472,33 para contratar a empresa responsável pela concretagem da obra.
Outros R$ 258 mil foram aplicados pós-interdição. Por enquanto, ainda não se sabe quanto deve ser investido para recuperar a ligação da região do Mary Dota ao Distrito Industrial 1. O valor será apontado em estudo contratado pela atual gestão, que despenderá R$ 49,5 mil só com a análise. De acordo com o Secretário Municipal de Obras, Leandro Joaquim, o poder público teria de gastar atualmente R$ 1,5 milhão, se fosse construir a ponte da estaca zero.
No entanto, para recuperá-la em 2006, a prefeitura terá R$ 600 mil disponíveis, conforme dotação orçamentária aprovada pelo Legislativo no mês passado.
Prejuízo indireto
O vendedor Rafael Luiz de Paula Adão, 17 anos, não mede esforços para manter o primeiro emprego, mesmo que para isso tenha de pôr a mão no bolso. Com poucos meses de trabalho, já terá de gastar cerca de R$ 130,00 para consertar catraca, disco, corrente, cubo e aro da bicicleta adotada como meio de transporte. Pedalando, ele sai do Mary Dota rumo Jardim Redentor, todos os dias.
“Dá uns 30 minutosâ€, comenta. O desgaste físico dele, assim como de tantos outros trabalhadores que se submetem ao mesmo sacrifício, é motivo de preocupação para o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Coube. O cansaço, admite o empresário, pode afetar indiretamente a indústria.
“A ponte é um enorme facilitador. Sem ela, temos um enorme complicador. É uma situação de dificuldade para o trabalhador. A ponte tem um papel de comunicação entre áreas muito importantesâ€, diz Coube. Ele espera que a administração municipal, tão preocupada em colocar as contas em dia, elenque suas obras preferenciais e aponte a Ayrton Senna como número um.