10 de julho de 2026
Regional

Prefeita sedia festa de Reis em sua casa

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

A prefeita de Espírito Santo do Turvo (62 quilômetros a sudoeste de Bauru), Luciana Maria Retz (PT), recebeu ontem, em sua residência, no município, para um almoço, os festeiros e cantadores da Folia de Reis, cujas celebrações começaram ontem e só terminarão no dia 6 de janeiro.

Tradicional na cidade e região, a festa começa neste início de dezembro com visitas da comitiva de festeiros a várias casas em busca de prendas que, no dia 6 de janeiro, serão usadas para um grande almoço comunitário na residência de um festeiro sorteado. Ontem, a prefeita sediou o almoço da comitiva após o término da peregrinação em busca das prendas.

Luciana Retz enfrenta na Câmara uma acusação de que mora em Bauru e não em Espírito Santo do Turvo. O assunto está sendo analisado pela consultoria jurídica do Legislativo, que promete emitir hoje um parecer.

“Fui eleita e aqueles que se opõem a mim nunca se conformaram de eu estar aqui. Fiquei sabendo que nos abaixo-assinados feitos contra mim há assinaturas de pessoas que foram induzidas a isso. Prova disso é que muitas delas vieram reclamar comigo sobre isso falando que estavam até com medo de represálias caso não aceitassem”, afirma Retz.

“Com o município unido, principalmente o Executivo e o Legislativo dando as mãos, conseguiríamos dar passos de gigantes. Acredito que não é a maioria do Legislativo que pensa assim, pois eles estão vendo que estamos fazendo um trabalho correto e digno, procurando ajudar principalmente os mais carentes, apoiando as muitas associações existentes no município, entre outras atividades”, destaca.

Retz diz, ainda, estar tranqüila em relação a uma eventual instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara. “Meu endereço eleitoral é aqui e até já tentaram impugná-lo com o mesmo argumento de agora, mas já ganhei essa batalha. Aqui é minha casa e se a imprensa quiser vir aqui para fotografar e filmar, pode ficar à vontade. É alugada porque no sítio que tenho aqui não tem casa e fica mais fácil ter uma residência dentro da cidade, pois tenho crianças pequenas também”, explica a prefeita, referindo-se a um imóvel localizado na rua Francisco José Martins, 163, onde garante residir há cerca de um ano.

Segundo a prefeita, suas raízes no município são antigas já que trabalha há mais de duas décadas naquela região. “Nós (ela e o marido) viemos para a cidade trabalhar na usina, ficamos morando e vivendo no município cerca de 24 anos. A cidade não era nem município ainda, era distrito de Santa Cruz de Rio Pardo. Eu fui uma das negociadoras da associação que transformou o distrito em município. Meu marido, já falecido, foi o primeiro prefeito”, salienta.

Retz enfatiza também que as viagens são necessárias, pois a cidade depende de serviços localizados em outros municípios. “O Tribunal de Contas é em Bauru, o DER também é em Bauru. A Saúde é em Assis, o serviço social é em Marília, a Educação é em Ourinhos. Então, eu acabo viajando muito mesmo, não tem jeito”, sustenta, em meio a um almoço que atraiu muita gente.

Para moradores, denúncia é infundada

A reportagem do JC entrevistou moradores de Espírito Santo do Turvo sobre a acusação de que a prefeita não mora na cidade. Para o aposentado Onofre Pereira Rodrigues, que afirma conhecer Retz há muito tempo, as denúncias são infundadas. â€œÉ ação política de quem não sabe perder e agora não querem deixar ela em paz para trabalhar”, sustenta.

Outro que tem o mesmo raciocínio é o empresário Mário Marcelo Pereira. “Não há motivos concretos para se instalar uma CPI. Conheço a prefeita há 25 anos e sei que ela não só trabalha aqui, mas também reside aqui. Isso é coisa de adversários. Só pode ser”, disse.

“Por melhor que a pessoa faça, parece que as pessoas nunca estão contentes”, declarou a comerciante Cândida José Vasconcelos, vizinha de Retz e que já trabalhou como empregada doméstica na residência da petista. “São acusações que não procedem”, concluiu.