10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ditadura dos camundongos


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No Brasil, nós vivemos uma autêntica ditadura dos camundongos. Se você falar a verdade corre o risco de ser condenado. E como já dizia Ruy Barbosa, ser honesto virou sinônimo de otário. Aqui, ladrão rouba, chora e ainda recebe indenização. E se você persegue o caminho da verdade e da cidadania começa a ser perseguido e as portas absolutamente se fecham. Caso o cidadão não seja firme e preparado espiritualmente e intelectualmente, pode entrar em desespero e depressão. No mínimo, desiste da luta e passa a engrossar a fila dos milhões que sofrem a ação insensível da história e não possuem forças para se defender.

O silêncio dos inocentes que como gados ficam esperando a morte chegar se torna o principal combustível da nossa injustiça social. É pior agüentar a opressão calado ou fazer vistas grossas para a patifaria reinante em setores da nossa sociedade? Isso pode dar úlcera! E ficar chorando no travesseiro até que é um bom exercício para a alma, mas não adianta e nem resolve absolutamente nada. Tem que lutar e ser destemido, principalmente quando está com a razão. Às vezes, o sistema, através da coerção, tenta calar e amedrontar as pessoas que não se consolam com o falso status quo. Infelizmente, na maioria das vezes, consegue, exceto algum Nelson Mandela que da cadeia foi para a glória política e tornou-se líder mundial.

Os acomodados e os simpáticos canalhas vendem-se fácil por um prato de lentilhas, cargos ou míseras propininhas. E, por causa deles, as nossas (muitas) meninas estão se prostituindo, muitos jovens estão na Febem, a nossa saúde é escassa e a educação uma aberração. A lei de Gérson de levar vantagem sempre vai prosperar quando a mentira se traveste de verdade e o medo vence a esperança. O topa-tudo por dinheiro virou normal no nosso meio e a ética está igual rastro de cobra e couro de lobisomem: está difícil de encontrar. Enquanto o “Paulo se você achar é todo seu Maluf” está curtindo a liberdade tomando uma cervejinha gelada em shopping center, uma empregada doméstica ficou dois anos presa por furtar um xampu. Hoje ainda temos a senhora Iolanda Figueiral, 79 anos, em estado terminal, mofando na cadeia de Tatuapé sem condenação. A pátria amada, às vezes, passa de mãe gentil para uma madrasta temerosa. Mas é isso mesmo e bola pra frente. E a minha caneta não tem pena e nem perdoa. Mexe com qualquer pessoa. E o que eu falei num depoimento para uma autoridade eu transcrevo aqui: “Prefiro nadar num mar repleto de tubarões do que ter que chamar corrupto de Vossa Excelência.”

Pedro Valentim