08 de julho de 2026
Nacional

PF quer ouvir filho de vice-presidente

Por Andréa Michael | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A Polícia Federal (PF) vai intimar o empresário Josué Gomes da Silva, filho do vice-presidente da República, José Alencar, para prestar depoimento e esclarecer o depósito de R$ 1 milhão feito pelo PT à Coteminas, empresa da família, no dia 17 de maio deste ano. Em 10 de agosto passado o Bradesco informou ao Conselho de de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a operação de crédito, feita em dinheiro e que tinha como responsável um dos Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJs) utilizados pelo PT.

O PT tem uma dívida de cerca de R$ 12 milhões com a Coteminas, que forneceu 2,75 milhões de camisetas para o partido no curso da campanha eleitoral de 2004. Os policiais pretendem que o empresário, por meio de fotos, identifique a “senhora” que teria levado o pagamento.

A CPI dos Correios investiga se a responsável pelo depósito é Solange Oliveira, que até julho deste ano esteve subordinada a Delúbio e, nessa condição, apareceu como responsável por três saques de R$ 100 mil cada das contas bancárias do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. O PT nega a participação da funcionária no episódio.

A PF pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF), no qual tramita o inquérito do mensalão, autorização para acessar a contabilidade do PT e também da Coteminas. No que diz respeito ao partido, o acesso será amplo.

Quanto à empresa, inicialmente restrito à operação divulgada e outras que eventualmente tenham sido registradas pelo Coaf ou sejam reveladas em depoimento por Josué Gomes. Foi encaminhado ontem ao Coaf, pela PF, ofício no qual os policiais pedem cópia do relatório que registra a operação financeira de R$ 1 milhão.

Com as novas diligências, a polícia pretende chegar à origem do dinheiro, já que o destino - pagamento de dívida do partido - é admitido por Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) e também por Josué Gomes. CPI O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR) disse ontem que cobrará do Coaf explicações sobre o fato de a comissão não ter sido informada sobre o depósito de R$ 1 milhão.

A comissão só soube da operação pela reportagem da “Folha de S.Paulo” no último domingo. O Coaf informou à CPI que o banco Bradesco comunicou a operação ao conselho no dia 5 de agosto último. O depósito ocorreu em 17 de maio último. Cinco dias depois de ter recebido a informação, o Coaf decidiu remeter relatório, em 12 de agosto, ao procurador geral da República, Antonio Fernando Souza. Dois meses depois, em outubro, o procurador enviou o documento à Procuradoria da República em Minas Gerais.

A assessoria de comunicação da Procuradoria Geral da República (PGR) informou que há um procedimento em andamento naquele Estado relacionado ao assunto, mas não informou nenhum outro dado adicional, sob alegação de que corre “sob sigilo”. Não foi informado se a Coteminas está sob investigação.

De acordo com a assessoria, o procurador-geral resolveu enviar o documento a Minas Gerais, e não à CPI dos Correios, porque o Coaf havia indagado se o depósito à Coteminas representava alguma infração penal (a resposta ainda não foi dada pela Procuradoria mineira). Segundo o deputado Osmar Serraglio, a revelação sobre o depósito fará com que a CPI “amplie a investigação”. “O caixa dois do PT vai além do que imaginávamos”, disse o relator da CPI.