07 de julho de 2026
Auto Mercado

Editorial

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 1 min

Confesso que fiquei surpreso ao ler as informações divulgadas pela Agência Estado e que publicarei agora. Com a produção de 2,44 milhões de veículos este ano, a indústria brasileira utiliza 76% da capacidade produtiva, estimada em 3,2 milhões de unidades. O percentual está próximo ao da indústria automobilística mundial, que opera com 22% de ociosidade. Segundo a consultoria Pricewater-houseCoopers, as montadoras de todo o mundo têm condições de produzir 77 milhões de veículos, mas este ano devem fabricar 60 milhões.

Para amortizar custos e realizar novos investimentos, o nível normal seria de 85% de uso da capacidade. Estima-se que, até 2012, a capacidade produtiva mundial terá acréscimo de 10 milhões de veículos, mesmo com o anúncio de fechamento de várias fábricas, principalmente nos Estados Unidos. Nos próximos dois anos, pelo menos 35 fábricas encerrarão atividades no mundo todo. Dessa leva extra de veículos, 3,5 milhões serão fabricados na China.

Tais dados só provam que, muitas vezes, as montadoras que operam no Brasil exageram no “choro” sobre seus desempenhos no mercado tupiniquim. Afinal de contas, não é só por aqui que as coisas - leia-se produção - anda devagar. E a capacidade ociosa das fábricas só melhorará quando a indecente carga tributária sobre os veículos, que representam mais de 30% do seu valor final, for reduzida. Preço menor, vendas maiores, é claro. O resto é cantarola.