Parreira, técnico do Brasil
“A Copa não será fácil para o Brasil”
Parreira gostou do sorteio, mas desconfia dos adversários e do excesso de favoritismo do Brasil
Parreira, que tal o sorteio?
O nosso grupo não é fácil, não é difícil, é equilibrado.E se acharmos que iremos encontrar facilidade podemos nos complicar. O Japão está indo para a sua sexta Copa, fará uma preparação boa. A Austrália tem jogadores experientes, eliminou o Uruguai em dois jogos. Por sua vez, a Croácia se classificou com sobras no seu grupo, complicado, na frente da Suécia. Serão jogos com marcação, velocidade e força física. Não será fácil. Temos de estar atentos e buscar nos impormos com a nossa qualidade tecnica.
O Brasil continua favorito depois do sorteio?
Não mudou nada. Este grupo requer atenção. São vocês, jornalistas, que estão dizendo que o Brasil é o favorito. Eu acho que temos um time suficientemente bom para ganhar a Copa. A Alemanha tem um time bom, a Holanda, a Itália, a Inglaterra. Há muitos favoritos além da Seleção Brasileira, se acharmos que ganharemos com facilidade, podemos levar uma trombada feia.
Que tal o grupo da Argentina?
É o mais difícil. Mas o da Itália também não é fácil, com a República Checa.E sairá do grupo deles, que ainda tem Gana, um adversário também complicado, o nosso adversário nas oitavas. O que prova que a trajetória do Brasil nesta Copa está longe de ser fácil.
Zico, técnico do Japão
“É melhor enfrentar o Brasil de cara”
O brasileiro, técnico do Japão promete enfrentar a seleção de seu país de origem sem complexos
Você ficou chateado com o fato de ter de enfrentar o Brasil como técnico em uma partida de Copa do Mundo?
Não serei o primeiro e nem o último técnico brasileiro a ter de enfrentar a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo. A imagem do Didi (técnico do peru em 1970) é a que me vem à mente. Era fase eliminatória, ao contrário do que acontecerá comigo depois deste sorteio. E já que era para cair com o Brasil, melhor que fosse agora do que depois.
Por que?
Porque nesta fase nenhum resultado contra o Brasil nos elimina. Depois vem a fase dos mata-mata, quando uma derrota elimina. Quem quer alguma coisa em uma Copa do Mundo tem de estar preparado para tudo. O Japão vai se preparar para encarar os adversários nesta Copa.
E os outros adversários?
São muito difíceis de serem batidos. Guus Hidink é um técnico experiente e a Austrália eliminou o Uruguai, o que mostra que eles não são bobos. Além disso, eles jogam conosco são a nossa estréia, que sempre é um jogo muito complicado. A Croácia é um time muito difícil. É parecida com a escola Eslovena e Sérvia, que encontramos em amistosos nos últimos meses.
Você julga impossível ganhar do Brasil?
Tenho todo respeito pelo Brasil, mas na minha matemática ha duas vagas para as quatro equipes do grupo. No futebol, tudo pode acontecer. Mas só vou pensar no Brasil depois. Quem quer alguma coisa tem de passar por cima de todo mundo.
Guus Hidink, técnico da Austrália
“Jogar contra o Brasil será uma festa”
O técnico da Austrália diz que quer jogar a Copa apenas por experiência. Olho nele: no último Mundial levou a Coréia do Sul ao quarto lugar
Que tal o sorteio?
Jogar contra o Brasil será uma festa. Os brasileiros são os favoritos do grupo, mas ninguém vence uma partida de futebol apenas com a tradição. Teremos respeito, mas tentaremos ser competitivos. É um grupo de times que buscam o ataque, como o Brasil. O Japão faz isso, a Croácia também. Teremos de ter preparo físico e técnico para avançar para a próxima fase.
E o senhor acredita nesta possibiliadde?
Como técnico da Austrália acredito, é claro.Na Copa passada, poucos acreditavam na Coréia e nossa seleção se classificou em quarto lugar. Este ano quero chegar o mais longe possível. Se a Austrália fizer um bom Mundial, o futebol naquele país ganhará ainda mais impulso e ficará mais forte e não precisará demorar 32 anos para voltara jogar uma Copa do Mundo.
Zlatko Kranjcar, técnico da Croácia
“Podemos surpreender o Brasil”
O técnico da Croácia acredita que pode surpreender o Brasil
Que tal o sorteio?
Estar ao lado do Brasil em uma Copa do Mundo nunca é fácil, mas se tivermos o espírito demonstrado no amistoso que jogamos contra os brasileiros, em Split (capital da Croácia), podemos surpreendê-los. Teremos de ser rápidos e lutadores. Tenho seis meses e vários amistosos para preparar meu jogadores para este desafio.
O que será um bom resultado na sua estréia na Copa, contra o atual campeão?
Um empate já será ótimo, já que na minha opinião o Brasil é favorito não só para o grupo, mas para a Copa.
E os outros adversários?
Difíceis. O Japão tem um estilo técnico e de muita velocidade, enquanto a Austrália conhece muito bem o futebol croata. Muitos jogadores da seleção atuam em equipes do nosso país e isso pode equilibrar uma partida entre as duas seleções. Viduka, o mais perigoso atacante australiano, por sinal é descendente de croatas. Creio que definiremos o nosso destino nesta Copa contra estas duas seleções.
*De Leipzig, especial para o JC