09 de julho de 2026
Política

Caso da CPMI vira tema em Coronel

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Do trevo da entrada para a cidade de Coronel Macedo (SP) aos bancos da praça central, ao lado da igreja matriz, aos supermercados e botequins, o assunto é o azar do mecânico Nelson Batagim, ex-proprietário do alambique que aparece como empresa sacadora dos R$ 300 mil das contas de Marcos Valério.

João Pedro, por exemplo, não só soube indicar com precisão a casa onde mora Batagim como, no caminho, já “adivinhou” a história pesquisada pelo JC. “Ele mora ali, segue a estrada até o fim e pára ao lado da igreja Deus e Amor, na esquina quase. Pode ir que você veio atrás da história dos R$ 300 mil, assunto que a cidade toda já sabe. Coitado, o alambique quebrou e ainda sobrou essa história”, resumiu Pedro, logo na primeira parada em busca de informações.

No local, o número 6-22, quase em frente à igreja indicada pelo morador, mostra uma casa branca, modesta, com um Fusca branco ao lado da garagem. Antes de entrar, o endereço foi checado em um supermercado no meio da quadra. “O Batagim mora ali mesmo. Ele é mecânico da prefeitura. O alambique dele fechou faz muitos anos e agora apareceu essa história do dinheiro de Brasília, coisa do PT”, diz a mulher do caixa.

A esposa de Nelson, Cecília Batagim, atendeu desconfiada e disse que o marido estava em férias em Itapeva (SP), uns 70 quilômetros de Coronel Macedo, para onde ela estava indo levar os perfumes que vende.

Aceitou a carona da reportagem e, no caminho, falou, com desgosto, do “martírio” que virou a vida da família após a história do saque dos R$ 300 mil, através da Destilaria, deixar o Congresso Nacional e invadir a pacata vida de Coronel Macedo. “Nossa vida é humilde, mais honesta, com três filhos. Virou inferno. O povo vai em casa até para pedir dinheiro emprestado, acreditando nessa história do dinheiro”, conta.

E o assunto estava mesmo por toda parte, sendo assunto da conversa dos moradores que aproveitavam o ponto facultativo da última sexta-feira, um dia depois do feriado da padroeira da cidade, Nossa Senhora.

Em um banco da praça, Osvaldo Teodoro Leal e Adolfo Marcelino de Almeida ouviam os comentários, enquanto José Aparecido Nunes vigiava sua bicicleta na calçada. “A renda do povo aqui é baixa, só tem bóia fria. Precisa de emprego. Se a lavoura pifar, perdeu o ano. O presidente devia olhar isso. Coitado do Batagim. Duvido que esse dinheiro tenha chegado aqui. Isso é coisa de Brasília”, resumiram.

Em outro canto dali, Antonio Loureiro se mostrou pouco incomodado e, de cima de sua charrete, pontuou que a “conversera” ia acabar em nada. Nos botequins a avaliação era, em geral, a mesma: que o alambique foi usado no esquema por outras pessoas, de bem longe dali.

Esta é a opinião, também, do dono do supermercado mais santista que se conhece naquela região. Jonas Aparecido da Silva sentenciou a palavra mais ouvida pela cidade: “Coitado do Batagim”, disse, ao lado do distintivo de seu time pintado na própria calçada.