08 de julho de 2026
Nacional

Setor de brinquedos prevê crescimento

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Na contramão de outros setores, indústria e varejo de brinquedos apostam nas vendas deste fim de ano, principalmente de produtos com preço superior a R$ 200,00. Levantamento da Fundação Instituto de Administração (FIA) revela que o faturamento deve ter crescimento nominal de cerca de 17,2% e real de 10% a 11% em relação ao Natal de 2004.

Os dados são do recém-lançado projeto Sistema de Informações do Mercado Brasileiro de Brinquedos (SimBrasil ) e baseiam-se no que dizem varejistas que representam 40% do mercado do País. Os resultados do SimBrasil mostram uma tendência de maior crescimento nas vendas de brinquedos mais caros.

Os de preço superior a R$ 200,00 devem vender 33% mais. Os que custam de R$ 100,01 a R$ 200,00, 12,6% mais. Em contraposição, para produtos cujo preço vai de R$ 20,01 a R$ 50,00, o aumento deve ser de 5,8%, e, para os de menos de R$ 20,00, de 7,8%. “O aumento da renda real da população, a redução da taxa de desemprego e a queda do dólar são motivos para que se tenha faturamento maior no setor”, explica José Afonso Mazzon, coordenador do SimBrasil.

Para Synésio Batista da Costa, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), a grande aposta é o Natal, já que o Dia da Criança foi “insignificante”, com resultado de vendas similar ao de 2004. “O setor viu uma queda de 30% nas vendas de janeiro a agosto, devido à invasão dos chineses.”

A Abrinq estima que haja aumento de 8% nas vendas, alavancadas pela divulgação dos produtos na mídia e também nos pontos-de-venda. “Bonecas e bonecos vão fazer a alegria das crianças, como vem acontecendo nos últimos anos”, aposta Costa.

Brinquedos eletrônicos e audiovisuais devem atrair mais, com crescimento do faturamento estimado pela FIA em 54,4%, seguido pelo grupo de veículos e transporte, com 21,5%. Já quebra-cabeças, jogos, blocos de construção e instrumentos musicais têm tendência de queda nas vendas.

A Brinquedos Laura aposta nos eletrônicos e está otimista com as vendas de Natal, estimando um faturamento 10% maior que o de 2004. “Consoles e jogos de videogame são os mais desejados por quem tem mais de seis anos. Acreditamos também nos eletrônicos que agregam música à brincadeira, nos robôs e nos radiocontrolados”, aposta Eduardo Pedro, proprietário da rede de lojas.

Ricardo Sayon, diretor comercial da rede de lojas Ri Happy, acredita que o consumidor encontrará grande variedade de produtos com atraente relação custo/benefício. “Apostamos na Barbie Aladus, na Hello Kitty, no disco voador Ufo, no Megaman, nas novidades da Lego e no urso Bartô, que custava R$ 249,00 no Dia das Crianças e sai por R$ 150,00”

Nas vendas de brinquedos pela Internet, segundo a empresa de pesquisa de marketing online e-bit, espera-se um aumento de 40% em relação ao faturamento de 2004. Apesar de a porcentagem ser alta, o crescimento do setor é menor do que a previsão de crescimento do e-commerce em geral, que é de 47%. “O crescimento geral do comércio pela Internet é alavancado pelas vendas de eletroeletrônicos, produtos de informática e videogames, que não contam como brinquedos”, diz Pedro Guasti, diretor-geral. Além disso, as lojas estão se adaptando para o mercado eletrônico. “Na Internet, a compra é mais planejada do que impulsiva, como é a compra de brinquedos. Se a pessoa não conhece bem o produto, o apelo diminui”, opina.

Ordem é pesquisar

São Paulo - O Natal carrega a tradição da troca de presentes e é a maior data de venda do comércio no ano. Quando se juntam a emoção da data, o desejo das crianças por ter “aquele” brinquedo e a profusão de opções - de produtos e de preços -, o resultado pode ser bastante pesado para o bolso. Como não há tabelamento, a ordem é pesquisar.

Levantamento da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de São Paulo, feito em setembro deste ano, revelou que o preço de um mesmo brinquedo varia até 122%. Comprar brinquedos nesta época tem um agravante. “O Natal contribui para compras baseadas em decisões mais emocionais”, diz José Afonso Mazzon, coordenador do projeto Sistema de Informações do Mercado Brasileiro de Brinquedos (SimBrasil). Por mais que comprar à vista possa apertar o orçamento, a opção vale a pena, principalmente se for possível usar parte do 13.º salário. “Nesse caso, deve-se pesquisar em, pelo menos, três lugares. Pode-se, ainda, pedir um desconto na loja mais barata”, aconselha o professor de matemática financeira José Dutra Vieira Sobrinho.

É dever da loja informar o preço à vista, o total a prazo, o valor das parcelas e os juros. Mas não é preciso saber analisar essas taxas. Para um produto igual, com venda num mesmo número de prestações e primeiro pagamento no ato, a melhor opção é a loja que tiver prestações de menor valor.