O Núcleo de Pesquisa em Arquitetura e Habitação de interesse social (ARQHAB) da Unesp de Bauru tenta convencer a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) local a aprovar seu projeto de moradias populares que oferecem conforto aliado ao custo baixo. Segundo a coordenadora do grupo, Silvana Aparecida Alves, a intenção é melhorar as condições de habitação da população carente. “A nossa proposta é levantar casas geminadas em lotes de 10 por 25 metros e com área quadrada construída um pouco maior do que as convencionais, que gira em torno de 35 metros quadrados”, explana.
As residências projetadas pelo ARQHAB teriam 48 metros quadrados, possibilitando maior comodidade aos moradores com a ampliação de todos os cômodos. A proposta é baseada nas constatações dos residentes do Bauru 2000, que reclamam do tamanho dos quartos, banheiros e da junção da sala com a cozinha. “É comum encontrarmos esses tipos de queixas em qualquer artigo relacionado às habitações populares”, afirma Silvana.
O projeto já foi apresentado à CDHU, mas não foi aceito porque a Companhia estipula um custo máximo de R$ 12 mil por casa, enquanto que a proposta do ARQHAB fica entre R$ 12,5 mil e R$ 12,8 mil. “Estamos estudando a possibilidade de reduzir esses gastos, mas não podemos deixar de discutir em até que ponto a especificação deste valor não prejudica a qualidade de vida dessas pessoas”, comenta. Segundo Silvana, no Bauru 2000 são comuns os relatos de que o material de construção utilizado nas obras é de má qualidade, pois, em alguns casos, as janelas se encontram enferrujadas e o reboco está caindo. Além disso, descontentes com o espaço físico, alguns moradores reformaram suas casas objetivando a ampliação do ambiente. “A princípio, a nossa planta contempla dois quartos, mas o projeto permite a construção de um terceiro, no caso de uma futura reforma”, explica.
Para que seja aprovado pela CDHU, o núcleo também deve desenvolver projetos para a parte hidráulica e elétrica do conjunto habitacional, porém não foram realizados até o momento. O objetivo da atual proposta, que foi premiada em primeiro lugar na área de exatas do 3º Congresso de Extensão da Unesp, é contribuir para o desfavelamento do município. Um dos bairros que poderia ser favorecido, segundo a coordenadora, é o Jardim Ivone, mas não há nada definido.