Produzido à base de terra com argila e água, o adobe é visto pelo professor e engenheiro civil Obede Borges Faria como uma alternativa barata para solucionar o problema da população que não tem condições de gastar com material de construção convencional.
Obede desenvolve uma pesquisa que pretende avaliar o conforto proporcionado pelo adobe em comparação ao tijolo baiano e blocos de concreto. “Estamos construindo três protótipos de casas, cada uma com um tipo de material. Assim que estiverem prontas, iremos verificar o desempenho térmico do adobe”, explica o engenheiro, que recebe incentivo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para realizar seus estudos.
Os gastos para produzir o tijolo artesanal são mínimos, porém a mão-de-obra é trabalhosa. A mistura deve ser amassada com os pés até que alcance a consistência ideal, que não é nem muito mole nem muito dura. Depois, a massa deve ser acondicionada em formas de madeira para ser desenformada logo em seguida, já que precisa ser colocada para secar à meia sombra. O processo de secagem pode levar de dez a 15 dias devido às condições climáticas da região. Contudo, mesmo se o material não ficar no ponto, ele pode ser refeito. Basta misturá-lo com água novamente. “A terra utilizada precisa ter 30% de argila, senão, é preciso acrescentar fibras vegetais trituradas para reduzir a contração”, afirma Obede. Plantas aquáticas como os aguapés podem servir como opção.
O solo arenoso de Bauru tem uma concentração de 20% de argila, de acordo com o professor, portanto, essa carência precisa ser compensada com mais argila para que o material se estabilize.
“Para a população aprenda a fazer o adobe, seriam necessários trabalhos de conscientização e cursos de capacitação, mas, infelizmente, as pessoas têm certa resistência a este tipo de tijolo porque querem seguir o modelo do rico”, acredita. “Até mesmo a auto-estima deles, que estão desempregadas iria aumentar, pois estariam levantando suas próprias casas”, emenda.
Embora não seja utilizado nas construções em Bauru, o professor informa que pelo menos um terço da população mundial mora em casas feitas de terra, principalmente em alguns países africanos, na China, Índia, Chile, El Salvador e Peru. “O adobe é mais uma alternativa ecologicamente correta para minimizar o problema habitacional da população carente do País”, finaliza ao lembrar que o material não degrada o meio ambiente.