09 de julho de 2026
Geral

IPA planta café para reduzir gastos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Na busca pela auto-suficiência, o Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru iniciou na última semana a plantação de 15 mil mudas de café. São quatro hectares repletos da variedade catuí vermelho, que em dois anos deverão resultar numa produção anual de 12 mil quilos, suficiente para cobrir a demanda de café do IPA e do Centro de Detenção Provisória (CDP) juntos. O presídio já é auto-suficiente na produção de leite, com 160 litros por dia.

O consumo mensal de café no IPA e no CDP atinge 700 quilos/mês, o que significa 8.400 quilos/ano. A expectativa da direção do instituto é de que dentro de dois anos, prazo em que os pés de café deverão dar frutos, esses gastos sejam eliminados.

Nos últimos cinco anos, o IPA ampliou sua área total de produção de 2.500 metros quadrados para 8 mil metros quadrados, e passou a ter plantio anual de culturas como milho, mandioca e abóbora. Com o milho, bateu recorde de produção no ano de 2003 com a colheita de 47 mil quilos.

Para o próximo ano, a estimativa é de colher 45 mil quilos de milho, já que a área plantada diminuiu e houve mudança na variedade. O milho plantado atualmente é de melhor qualidade.

Dentre os presídios semi-abertos do Estado de São Paulo, o IPA de Bauru figura como o maior produtor agrícola, explica o diretor-geral, Gilberto de Assis Oliveira. “Existem dois IPAs, o de Bauru e o de (São José do) Rio Preto. Além desses, tem mais 24 semi-abertos que se dedicam especialmente à produção industrial.”

A olericultura (produção de legumes e verduras) já soma 6 mil quilos. “Parte é consumida pelo IPA e CDP, e o restante da produção é vendido. O dinheiro é depositado no fundo especial de despesas. O valor é revertido para a safra do ano seguinte.”

Laborterapia

O trabalho agrícola é, antes de tudo, uma laborterapia para o preso. Quando ele trabalha se sente cidadão respeitado, o tempo passa mais rápido e ele ainda é beneficiado no cumprimento de pena. A cada três dias trabalhados se contabiliza menos um dia na condenação. Na década de 80, o IPA de Bauru possuía 12 mil pés de café que eram plantados na área atualmente ocupada pelo Distrito Industrial 3.

O café catuaí vermelho é uma variedade de porte baixo, explica Oliveira. “Isso facilita a colheita, os tratos culturais como desbrota, capinas, adubação e o controle fitossanitário. Todo esse trabalho será feito pelo 25 reeducandos escolhidos para o serviço.”

O diretor frisa que na cultura do café o custo maior é com a mão-de-obra. “Numa plantação de café, a mão-de-obra é que gera o maior custo. Isso nós temos aqui. Antes do plantio fizemos a análise do solo e todas as necessidades nutricionais foram supridas. A previsão é que diariamente sejam plantadas mil mudas.”

O sistema de plantio adotado é o de livre crescimento, segundo explica Roberval Cervantes Doro. “Esse sistema permite que a planta cresça livremente e o espaço entre um pé e outro fique livre para o trato cultural e colheita”.

O trabalho na agricultura de modo geral, segundo o diretor Oliveira, se reflete em todos os setores no IPA. “Há cinco anos atrás, o índice de não retorno das saídas temporárias era de 25%. Hoje é de apenas 5%.”

O reeducando Aleandro de Lucena Araújo está experimentando algo novo em sua vida. Pernambucano, ele foi preso em Guarulhos e agora cumpre pena em Bauru. “Para mim, é uma experiência nova plantar café. Estou gostando. O tempo passa mais rápido.”

Pastagens

Após o plantio de café, os reeducandos do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru vão se dedicar à recuperação das pastagens. “São 650 cabeças de boi que temos aqui. Estamos com excesso de bovinos na área de pastagem. No ano que vem, teremos que fazer a recuperação das pastagens. Temos 90 alqueires de pasto e outros 90 (alqueires) que são da área de preservação”, frisa o diretor-geral do instituto, Gilberto de Assis Oliveira.

A média, segundo ele, é de dois bois por alqueire. “Tínhamos que ter no máximo 200 cabeças de gado. No início do ano que vem vamos fazer um leilão de 100 cabeças. O dinheiro será depositado no fundo para investir em melhoramentos na área de recuperação de pastagens.”