08 de julho de 2026
Regional

Bocaina eleva receita com imóveis novos

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Bocaina - A administração municipal de Bocaina finalizou na semana passada um recadastramento de novos imóveis do município que vai aumentar em até 40% a arrecadação de impostos sem reajuste dos tributos municipais. Os imóveis cadastrados são novos apenas para a prefeitura, pois há nove anos o registro de construções não é atualizado.

O prefeito João Francisco Bertoncello Danieletto (PV) explica que, por falta de fiscalização, não se sabia o que era construído no município - obras novas e ampliações - e também não se tinha o correspondente lançamento de impostos. O próximo passo do recadastramento é processar os dados coletados até a última sexta-feira, que apontarão o valor exato do crescimento da arrecadação com impostos.

Com o recadastramento, a prefeitura fecha 2005 com receita maior do que a prevista. O orçamento estimado em R$ 11 milhões neste ano sobe para R$ 13 milhões. Para 2006, a projeção da administração é de R$ 14,8 milhões; em 2008, o orçamento projetado é de R$ 16,2 milhões; e para 2009, o valor previsto é de R$ 17,6 milhões.

A prefeitura ainda espera para 2006 uma injeção de recursos com a comercialização, a partir de janeiro, de 71 lotes do Distrito Industrial (DI). O prefeito revela que já estão cadastradas 28 empresas, sendo quatro de fora, que ocupariam 55% dos 55 mil metros quadrados da área disponíveis. Grande parte das empresas interessadas é do setor de couro, principal segmento industrial no município.

Desde sua aquisição em 1996, o DI não recebeu infra-estrutura - água, esgoto e asfalto - nos lotes localizados na estrada vicinal que dá acesso à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, região afastada da área urbana. “Através do Plano Diretor para 2006 nós não vamos mais permitir nenhuma instalação de indústria, fábrica ou distribuidora que não seja no Condomínio Industrial”, avisa.

Segundo Danieletto, a administração já trabalha com o crescimento de receita devido à atividade produtiva no Condomínio Industrial. Outra aposta da prefeitura para impulsionar o DI é a diminuição da informalidade entre os trabalhadores do setor coureiro. O prefeito acrescenta que o número de costureiras em Bocaina que trabalham em casa na informalidade varia entre mil e 2 mil profissionais. “Elas estão sem nenhum registro em carteira, sem nenhuma garantia de aposentadoria. Não estamos interessados em impostos que elas vão gerar, mas sim na organização do setor”, garante.

O setor industrial de beneficiamento de raspa de couro em Bocaina se prepara para internacionalizar sua marca iniciando exportações a partir de 2007. Além de peles para confecção de calçados, a cidade abriga um pólo produtivo de equipamentos de segurança (EPI) - luvas, aventais e vestimentas. A linha de produção das 120 indústrias produz um milhão de pares de luvas por mês. O setor emprega em torno de 1.200 trabalhadores com carteira assinada. A presidente do Sindicato das Indústrias e Curtumes de Couro de Bocaina (Sindacouros), Fabiana Cristina Milani Guelfi, adianta que uma das empresas da cidade já tem condições de exportar o produto. Ela preferiu resguardar, por enquanto, o nome da indústria.