09 de julho de 2026
Geral

Lotação dos cemitérios abre espaço para iniciativa privada

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Dois dos quatro cemitérios municipais de Bauru já estão sem jazigos para vender - o São Benedito e o da Saudade. O Cristo Rei e o Redentor, que continuam comercializando terrenos, têm capacidade para atender por pelo menos mais 15 anos a população, segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que administra as necrópoles. A prefeitura ainda não tem previsão para a construção de um novo cemitério na cidade. Enquanto isso, duas empresas estão planejando abrir necrópoles particulares em Bauru. Uma delas quer viabilizar o empreendimento já para o próximo ano.

O pedido mais recente para a construção de um cemitério municipal foi protocolado na última semana pelo vereador Futaro Sato (PDT). A região indicada pelo vereador foi a do Mary Dota. “É um local isolado e que (o cemitério) iria beneficiar a população de vários outros bairros”, explica o vereador. Sato lembra que essa não é a primeira vez que pede a construção de um cemitério na região. “Na minha outra legislatura, em 1997, já havia feito o pedido”, recorda.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) afirma que é muito difícil a construção de novas necrópoles municipais para os próximos anos. “Seria necessário o envolvimento pesado de várias secretarias. A prefeitura, atualmente, não tem corpo técnico para realizar um projeto como esse”, explica o titular da pasta, Carlos Barbieri. Além do projeto, a prefeitura precisa dispor de uma área grande para viabilizar o empreendimento.

Enquanto isso, uma empresa já retirou na prefeitura a lista de documentação necessária para a construção de um cemitério particular na região do Mary Dota. O local escolhido teria sido no Jardim Chapadão. Outra necrópole particular já está quase saindo do papel. A Organização Terra Branca, que atua no segmento de funerária, está terminando de viabilizar a documentação ambiental para, no ano que vem, construir o seu cemitério, nas margens da rodovia Bauru-Marília, próximo ao Instituto Penal Agrícola.

Particulares

Caso todos os projetos se concretizem, Bauru contará com quatro necrópoles particulares – as duas que estão sendo projetadas e as que já possui: o Jardim do Ypê e o cemitério vertical. A Organização Terra Branca há anos prepara-se para abrir o cemitério.“Nossa família comprou o terreno em 1971 com essa finalidade e só estamos esperando a licença ambiental para começar a construir”, conta Rogério Costa Conhalghi, sócio da empresa.

Ele informa que só para os estudos ambientais, a organização investiu cerca de R$ 40 mil. Além da necrópole que seguirá o estilo parque, a organização está construindo um crematório no local que, segundo ele, será o primeiro do Interior do Estado.

O Jardim do Ypê, primeiro cemitério particular da cidade, comercializa seus jazigos há 34 anos e ainda tem espaço para atender a população por mais 15 anos. Até ontem, haviam 6.800 pessoas sepultadas no local. Os preços praticados pela empresa variam entre R$ 3.600,00 a R$ 4.900,00. “São jazigos com três gavetas cada um e financiamos em até 84 vezes”, explica Elen Gomes, gerente da empresa, que dá desconto para quem comprar o espaço nos planos de comercialização.

Enquanto isso, um túmulo de alvenaria com duas gavetas é comercializado pela Emdurb por R$ 680,00 nos dois cemitérios que ainda possuem espaço.

Sala velatorial

A prefeitura não possui previsão para a construção de uma nova necrópole, mas Barbieri sinaliza com a possibilidade da região do Mary Dota contar com uma sala velatorial. Segundo o secretário, o projeto para o velório público está sendo encaminhado à Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). O vereador Futaro Sato não concorda com a construção da sala velatorial. “O cemitério mais próximo daquela população é o do Redentor, que está ficando sem vagas”, conta.

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Solo limita construção, diz Semma

Segundo o secretário do Meio Ambiente, Carlos Barbieri, Bauru possui solo arenoso, que dificulta a construção de novas necrópoles. “O solo daqui é muito drenado e por isso pode contaminar facilmente os lençóis freáticos”, explica. Essa característica permite que o líquido resultante da decomposição dos corpos penetre facilmente nas camadas do solo, atingindo reservas naturais de água.

Além do controle do necro-chorume, também é necessário o controle dos gases da decomposição. “O estudo ambiental, que viabiliza uma área para necrópole, é caro. A administração de um cemitério também é muito onerosa”, observa Barbieri.