Garça - Em menos de 24 horas, as polícias de Garça e Marília conseguiram resgatar a vítima e prender dois dos envolvidos no seqüestro de Maria Alice Nassif Travençolo, 26 anos. A jovem foi levada na tarde da última segunda-feira do interior da empresa Total Produtos Agropecuários e Utilidades, em Garça, de propriedade de seu pai, durante um suposto roubo. A jovem foi encontrada pela polícia num cativeiro na Zona Oeste de Marília.
O delegado da DIG/Garra de Bauru, J. J. Cardia, alertou, em reportagem veiculada pelo JC no último dia 4, que quadrilhas vinham investigando "seqüestráveis" em Bauru e região. Alguns planos de seqüestro já estavam em andamento.
Maria Alice Travençolo chegou na tarde de ontem em Garça, sua cidade natal, e foi recebida com muito carinho pelos moradores. A polícia e ela acreditam que os seqüestradores a levaram por engano. Ela passou cerca de 20 horas com as mãos algemadas e usando um óculos com fita isolante.
A vítima contou que não foi agredida fisicamente. “Eles não me machucaram, mas verbalmente me agrediram muito. Me ameaçaram de morte várias vezes e me obrigaram a gravar uma fita pedindo um resgate de R$ 2 milhões. Se meu pai não pagasse, eu seria morta.” Na gravação, a jovem foi obrigada a dizer para que os pais pedissem o afastamento da polícia. “Eles prometeram que, se algum deles fosse preso, eu seria morta.”
Ela relatou que só manteve contato direto com uma pessoa. Foi através dessa pessoa que a vítima obteve informações que a levaram a crer que foi levada por engano. “Ele conversou comigo e confessou que nunca tinha participado de um seqüestro e que estava fazendo isso porque devia para os seqüestradores. Ele falou que meu pai era o homem mais rico da cidade e que ele tinha tais e tais propriedades, o que não é verdade”, desabafou.
No cativeiro, a jovem foi obrigada a ouvir música funk o tempo todo. “O quarto estava todo coberto com plástico preto e eles tocavam música funk bem alto para impedir que eu ouvisse a conversa entre eles.”
Após ser resgatada, a vítima não cansou de agradecer aos policiais que salvaram a sua vida. “Confesso que não acreditava que seria encontrada tão rápido. Por várias vezes, pensei que iria morrer e pensava muito nos meus pais.”
Insegurança
Ela contou que se sentiu muito insegura. “Foi uma situação inesperada e eu jamais imaginei que um dia poderia passar por isso. Achava que só pessoas muito ricas corriam o risco de ser seqüestradas. Meu pai não teria os R$ 2 milhões para pagar o resgate.”
Maria Alice relatou que teve a cabeça coberta para ser levada até o cativeiro. “Eu não sabia onde estava e foi o homem que me guardava, por mais paradoxo que isso possa ser, quem me deu equilíbrio. Fui levada abaixada no banco do carro. Havia uma arma apontada para mim.”
O pai da vítima, Pedro Travençolo, confessou ontem que não teria como pagar o resgate, que nem chegou a ser pedido pelos seqüestradores. “Ficamos com medo. Foi uma experiência muito dolorosa.”
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Como foi
Garça - O seqüestro teve início como um roubo na empresa Total Produtos Agropecuários e Utilidades, localizada na avenida Labieno C. Machado, 1.990, em Garça, por volta das 15h30.
Um homem entrou no estabelecimento e solicitou de um funcionário dois sacos de ração para aves de granja. No interior do depósito da loja, onde o produto seria entregue ao suposto comprador, ele exibiu um revólver e anunciou o assalto.
Em seguida, ele também rendeu o gerente e se aproximou da mesa onde estava a filha do proprietário que conversava com outro vendedor. O assaltante deteve todas as vítimas e as deixou trancadas no banheiro, algemadas com material plástico.
Neste momento, mais dois envolvidos no seqüestro entraram no estabelecimento. Enquanto um subtraiu o dinheiro, cerca de R$ 300,00 e os celulares de todas as vítima, outro seqüestrador avisou a todos que iria levar a jovem apenas como garantia para a fuga.
Ele teria dito aos demais funcionários da loja que ela seria libertada em seguida. Após a saída dos supostos ladrões, as vítimas conseguiram se libertar das amarras e acionaram a polícia. Testemunhas informaram aos policiais que a seqüestrada teria sido levada em um Corcel de cor amarela ou creme.
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Desbaratou a quadrilha
Garça - Desde o momento em que foi acionada, a polícia passou a buscar informações. Com a ajuda de testemunhas, ela conseguiu, na manhã de ontem, chegar ao cativeiro, uma casa na Zona Oeste de Marília. “Ela estava numa edícula”, informou o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Marília.
No local, os policiais localizaram Rosana Gomes da Silva, 23 anos, que seria amásia do mentor do seqüestro, Nivaldo Eli Faustino Alves. Reginaldo Leandro que tomava conta da vítima. Os dois foram presos.
O mentor do crime, que já tem passagens pela polícia por seqüestro, continua foragido. “Todos os envolvidos são da Capital. Não há nenhum morador de Garça e região. Além de Nivaldo, foi identificado Anderson Luiz Camargo da Silva, 20 anos, que ainda não foi localizado.”
No cativeiro, foi apreendido um Corsa, placas LBP 2798 de São Paulo, usado na ação. O delegado acredita que pelo menos mais três pessoas estejam envolvidas no seqüestro. “Após o flagrante, vamos pedir a prisão preventiva dos demais.”
A quadrilha é profissional, na opinião do titular da delegacia de Garça, delegado Ricardo Luiz de Paula Martines. “Está caracterizado o crime de seqüestro. O roubo foi praticado com a intenção de simular a ação da polícia. Na madrugada de ontem, conseguimos identificar três indivíduos. Conseguimos a identificação de um outro, através de informações casadas com a Polícia Militar e ele nos levou ao cativeiro.”
As investigações vão continuar, promete o delegado. “Temos que tentar deter pelo menos mais quatro indivíduos. A quadrilha usou essas pessoas para arrematar a vítima no local, simulou um roubo para chegar ao objetivo final, que era uma extorsão mediante seqüestro.”
O objetivo da polícia, em primeiro lugar, era resgatar a vítima com vida. “Isso feito, vamos colher provas para que essas pessoas continuem presas e aquelas que estão foragidas sejam capturadas.”
Ele garantiu ter provas do planejamento. “O mentor visitou a empresa e tentou levantar a planta do estabelecimento para a ação de ontem. Isso está concretizado em matéria de prova.”
Martines também acredita na hipótese dos seqüestradores terem errado de vítima. “Eles demonstraram ter desconhecimento de outra família". Para o delegado, os seqüestradores confundiram a moça com outra pessoa. "Os bandidos imaginavam que a família dela tivesse posses muito além do que tinha na realidade".