08 de julho de 2026
Nacional

Sete jovens de Vigário Geral desaparecem

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Sete jovens, com idades entre 15 e 24 anos, moradores da favela de Vigário Geral (zona norte do Rio de Janeiro), estão desaparecidos desde a madrugada de ontem. Cerca de 20 homens vestidos com fardas da Polícia Militar teriam seqüestrado os jovens. Os homens, segundo a polícia, seriam traficantes da favela vizinha Parada de Lucas, rivais do tráfico em Vigário Geral, disfarçados de policiais militares. Outros três moradores foram também seqüestrados, mas posteriormente conseguiram ser liberados pelos supostos traficantes.

A polícia disse não ter indícios de que os desaparecidos sejam traficantes. Parentes dos jovens, em depoimento na 38.ª Delegacia de Polícia (DP), afirmaram que tiveram suas casas invadidas, por volta das 3h de ontem. Os homens, todos fardados e armados, levaram dez rapazes. Uma das mães dos seqüestrados, que não quis se identificar, disse que os homens falaram que “quem não estivesse devendo nada” voltaria para casa vivo. Ela afirmou que seu filho, de 15 anos, não era envolvido com o tráfico de drogas da favela.

Os jovens foram levados para a vizinha favela Parada de Lucas - que fica distante cerca de dois quilômetros de Vigário Geral. No caminho, três deles teriam conseguido convencer os homens de que não eram traficantes. Foram liberados a poucos metros da casa para onde foram levados os outros. Os três liberados prestaram depoimento na delegacia ontem.

A delegada adjunta Márcia Beck Simões afirmou que eles não têm passagem pela polícia e não são envolvidos com o tráfico de drogas. Um deles, encapuzado e vestido de preto, levou os policiais à casa. No local, um adolescente de 16 anos foi preso. A delegada informou que ele confessou fazer parte do tráfico. Na casa foram encontradas oito fardas de PM completas - três delas com a identificação do 3.º Batalhão de Polícia Militar (BPM), localizado no Méier. Nenhuma tinha nomes de policiais.

A polícia informou que as roupas teriam sido usadas na ação dos traficantes. Também havia um quepe, três toucas ninja, três jaquetas camufladas, uma fita de vídeo, sete pares de coturnos (botas policiais) e quatro munições de fuzil. Nenhuma arma foi encontrada. A polícia ainda não sabe o que está gravado na fita de vídeo. A guerra entre as duas favelas dura quase duas décadas. Os pontos de venda de drogas em Parada de Lucas são comandados por traficantes do Terceiro Comando (TC). Vigário Geral é controlada pela facção criminosa Comando Vermelho (CV). Em Vigário Geral, aconteceu a segunda maior chacina do Estado. Em 1993, 21 pessoas foram assassinadas. Segundo o Ministério Público, a matança foi promovida por policiais militares em vingança à morte de quatro PMs em confronto com traficantes de Vigário Geral, dois dias antes.

Até as 19h30 de ontem, o adolescente preso ainda prestava depoimento. A polícia fez buscas em Parada de Lucas, mas não encontrou os jovens desaparecidos.